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O samba centenário
Rosângela Camolese
21/03/2016 16h22
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De acordo com os registros da Biblioteca Nacional, 2016 marca o centenário da gravação de Pelo Telefone, considerado o primeiro samba gravado no país.

Antes de falar da composição, seus autores e um pouco da sua história, vou me ater um pouco ao próprio samba, música genuinamente brasileira, representante de toda nossa alegria, irreverência e ginga. Ele que chegou com os escravos, nos porões dos navios negreiros, visto por sua vertente folclórico-religiosa, tem história no mundo ancestral africano.

Conta-se que dentro de um atabaque morava um espírito chamado Ayó, o deus do ritmo, libertado pelo poderoso machado de Xangô e trazido ao Brasil por outros quatro orixás. Aqui chegado, foi alvo de muita resistência e preconceito.

Venceu a todos para morar no coração do nosso povo, já que conseguiu somar aos ritmos africanos originais a realidade dos escravos brasileiros, acompanhando suas transformações sociais, econômicas e musicais. A origem do termo samba também divide opiniões.

É provável que seja angolana, vindo de samba, um ritmo religioso, que significa umbigada. Outra vertente afirma ser originário do termo zambra ou zamba, de língua árabe, nascido quando os mouros invadiram a Península Ibérica.

Há, ainda, uma versão que diz ser originário da etnia quioco, significando brincar, divertir-se. O ritmo que aparece em todos os Estados brasileiros, se tornou mais forte no Rio de Janeiro, antes centro econômico do país, para onde vinha grande número de negros que se organizavam em quilombos, inicialmente, e depois de libertos, em comunidades nos morros.

Os estilos que mais fazem sucesso são os que nascem na Bahia, Rio de Janeiro ou São Paulo. O samba baiano é fortemente influenciado pelo lundu e pelo maxixe, com letras simples, balanço rápido e ritmo repetitivo. Um bom exemplo é a lambada.

Em São Paulo, por suas características metropolitanas, o samba ganha as cores de todas as raças, com forte influência italiana. As letras são mais elaboradas e o sotaque dos diferentes bairros é marcante. Na obra de Adoniram Barbosa, há boas mostras disso.

Voltando ao Rio de Janeiro, no início do século XX, registra-se a importância das chamadas tias baianas: Bibiana, Ciata e Perciliana. Era nas casas destas mulheres que aconteciam as festas, as rodas de capoeira ao som de batuques e pandeiros. E segundo registros históricos, foi exatamente na casa da Tia Ciata que aconteceu o samba Pelo Telefone.

Sua autoria também é alvo de controvérsias, está registrada como sendo de Ernesto Joaquim Maria dos Santos, o Donga. Em 1917, quando a música realmente faz sucesso no carnaval, sua letra aparece como sendo do jornalista Mauro de Almeida, parceiro de Dunga.

Publicações da imprensa naqueles anos, trazem palavras do próprio Mauro que revela não ser exatamente o autor, mas sim, aquele que juntou estrofes já cantadas aqui e ali. Tempos depois, o grande Tinhorão ratifica esta posição, ao dizer que Pelo Telefone é uma colcha de retalhos, com nuanças de batuques, estribilhos do folclore baiano e do maxixe carioca.

A própria letra do samba, ainda no momento em que foi lançado, já aparecia polemizada. Havia quem cantasse: O chefe da folia / Pelo telefone / Manda-me avisar / Que com alegria / Não se questione / Para se brincar. E também lá estava o grupo que preferia: O Chefe da Polícia/ Pelo telefone / Manda-me avisar /Que na Carioca / Tem uma roleta / Para se jogar.

Fatos havidos entre repórteres do jornal A Noite e o chefe da polícia em torno do jogo clandestino na região central do Rio, tornam possíveis as duas versões. Polêmicas à parte, reverenciar o centenário do ritmo que está na base da identidade cultural brasileira, é sempre motivo de alegria e, para nós, também de orgulho.

Piracicaba é mais uma vez privilegiada. Temos aqui um grande número de compositores, interpretes e grupos de samba que com qualidade e maestria o mantém vivo. Poderia elencar uma grande lista deles, mas para não correr o risco de algum esquecimento, prefiro dizer simplesmente: obrigada a todos vocês que com sua arte no samba fazem mais alegre e feliz os nossos dias!


Rosângela Camolese

É secretária da Ação Cultural.


 
 
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