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Os fatos se aceleram
Marly Therezinha Germano Perecin
28/03/2016 16h53
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Chorar sorrindo é conquista da sabedoria do índio que tudo perdeu, do negro que se desenraizou da África, do branco que tentou, em vão, buscar o seu eldorado. O humor brasileiro será, ou não, cordial como Sérgio Buarque de Holanda nos colocou em dilema. Vou mais para o humor amargo e capaz de zombar das próprias mazelas, por mero escapismo ancestral, concluindo que a sabedoria verdadeira nesses brasis é aquela de fazer rir e pensar, para chorar basta ouvir as notícias.

Dão conta as piadas que circulam sobre o governo nos meios de comunicação, bem como os bonecos inflados, os cartazes e as mensagens, onde são duramente criticados a presidente, o ex-presidente e os políticos. Puxam ao ridículo, são estratégias demolidoras de um povo indignado, fazem rir e pensar. Dou alguns exemplos de situações vividas. No domingo (13) na avenida Paulista, os dois magnos representantes do PSDB, ouviram gritos de “fora, oportunistas” e profusas vaias. Muito sem graça, o governador Alckmin saiuse com essa: “É a força do movimento!” Aécio Neves, por sua vez, exudou sabedoria: “A sensação é que os brasileiros resolveram pegar o seu destino com as mãos.” Tardia descoberta, pois a Nação sempre pertenceu ao povo brasileiro, quer gostem ou não gostem os políticos de ocasião.

O noticiário deu conta que ambos tiveram um percurso tenso e apressado, até o veículo que os levou de volta ao palácio Bandeirantes. O povo está deveras indignado com os políticos, tanto no Executivo como no Legislativo; a tal ponto que, por suas safadezas e perversidades, perderam a total credibilidade, e, consequentemente, se ilegitimaram. Nas duas Câmaras do Congresso há dezenas de ‘representantes do povo’, senadores e deputados federais, indiciados em inquéritos, principalmente na Lava Jato. A qualquer momento os dois presidentes, Renan Calheiros e Eduardo Cunha poderão ser presos por vários crimes de corrupção e improbidade. No Executivo há vários ministros (portadores de foro privilegiado), que se acham sob investigação policial. 

Repercutem em toda a sociedade, até no exterior, os episódios da semana passada, que ultrapassaram quaisquer limites de seriedade e respeito. Nunca se viu tanta vergonha, mesmo, nos tempos coloniais. Elemento moderador, fator de estabilidade nas mais delicadas relações institucionais do país, o Supremo Tribunal Federal vem sendo continuamente solicitado, inclusive dentro da própria Justiça, como ocorreu recentemente com a Lava Jato ou quando o juiz Sérgio Moro revelou, a bem da verdade, as conversas grampeadas.

Todos se lembram da manhã de quinta-feira, repleta de protestos e aplausos à presidente, no episódio dedicado a empossar o ex-presidente Lula como Ministro da Casa Civil, a fim de blindá-lo da prisão preventiva, prestes a acontecer. Foi um dia de tiroteios, entre governo e oposição, em que as relações institucionais da República pareceram ameaçadas, como se viu poucas vezes. Foi aí que o juiz Sérgio Moro suspendeu o sigilo do processo da Lava Jato sobre Lula, arriscando a própria cabeça, e a sociedade que está a seu lado, desde o começo das operações, lhe deu o respaldo imediato.

O mesmo aconteceu da parte dos juízes federais que reagiram na defesa da corporação. Na sexta-feira, à noite, mais uma intervenção (necessária) do STF, e o Ministro Gilmar Mendes deu ganho de causa à verdade, pois havendo desvio de finalidade na nomeação de Lula como ministro, a posse foi suspensa. No mesmo ato, reverteu o processo à 13ª Vara Federal de Curitiba, onde são investigados os crimes do Petrolão, onde o ex-presidente e família estão investigados.

Tanto Lula como Dilma se acham em abraço de afogados, um tentando salvar o outro. Recebendo foro privilegiado, o ministro Lula deveria costurar acordos entre os políticos da Câmara Federal em favor da presidente, cujo único objetivo é escapar do iminente impeachment, e, ele, por sua vez, atuar presencialmente no governo, como é do seu agrado. Desmascarados, ambos interpretam papéis de vítimas, até, com certa performance. O nordestino pobre, hoje aburguesado e riquíssimo, se faz de perseguido das elites, enquanto a mentirosa compulsiva faz pose de indignada e ultrajada nos seus direitos fundamentais. Nem o mais ingênuo dos pataxós cai nessas!


Marly Therezinha Germano Perecin

é historiadora.


 
 
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