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A falsa lógica do bem e do mal ou maniqueísmo de araque
Marly Therezinha Germano Perecin
25/04/2016 15h13
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Cobrar agradecimento aos nove ministros da Suprema Corte, nomeados nos últimos 13 anos, foi um despautério insano que feriu a Carta Magna e nos encheu de indignação, além de o país inteiro ouvir o desabafo do ex-presidente ao chamá-la de Corte acovardada e, de quebra, exercer pressão sobre a ministra Rosa Weber. Que tempos estamos a viver! É sintomático que a Advocacia Geral da União, extrapolando as suas funções, tenha recorrido ao STF contra a Lava Jato e venha atuando em defesa dos ilícitos da presidente e do seu partido; aliás, recorre a tudo, na intenção de procrastinar o desfecho inevitável.

No desespero pela sobrevivência, não bastaram cabular os votos na Comissão da Câmara sobre o impeachment, de praticar todo tipo de fisiologismos e ameaças para safar-se da decisão de domingo passado, 17 de abril. As manifestações da presidente sempre demonstraram a sua visão distorcida da democracia. Agora, em razão das suas conveniências, perdeu a postura de primeiro magistrado, passando a invectivar contra a própria Justiça do país, acusando a oposição de golpista; transtornada, brada que impeachment sem crime é golpe, num falso maniqueísmo, onde o governo é o Bem e as oposições são o Mal. Perdida toda a credibilidade como chefe de Estado, não dando para restabelecer a governabilidade da nação, diante dos estragos cometidos, ela não cessa de apelar para argumentos, os mais espúrios. Quanto mais fala, pior fica, abraçada à catástrofe que gerou e que vai levá-la ao fim próximo.

A economia... esta, vai de mal a pior. Nos planos do orçamento Federal prevê-se um PIB muito menor e um déficit maior, de R$ 96,65 bilhões. A combinação de crise fiscal, inflação, desemprego e recessão é fenômeno endógeno, exclusivamente brasileiro, não procede de crise externa. Aqui, nada ocorreu por mero acaso, tudo é da responsabilidade do governo lulopetista, em particular da sra. Roussef que, como presidente do País, tem responsabilidade constitucional de bem administrar, bem governar e bem atuar como chefe de Estado.

O ministro Carlos Ayres Brito esclarece que não basta a investidura no poder advir da eleição popular, pois é indispensável dar prossecução ao exercício da presidência, ou seja, governar no respeito total à Lei, legitimando-se a cada momento do mandato, caso contrário se chegará à perda da legitimidade e à conseqüente desinvestidura forçada, chamada impeachment. No caso específico da sra. Roussef, infração eleitoral, improbidade administrativa e irresponsabilidade fiscal se acham suficientemente caracterizadas. Tudo foi escondido enquanto se pode, porém, assim que o processo de impeachment começou na Câmara Federal, a pressa dos partidos no desembarque do Titanic já indicava que o fim desse catastrófico governo estará próximo. Como se costuma dizer, a sra. Roussef será despedida por justa causa e, um dia, terá que acertar contas pelos seus estragos.

Hoje, o pavor dos políticos está nas revelações da planilha da Odebrecht, parte da operação Xepa da Lava Jato, onde constam 229 nomes comprometidos num esquema de caixa 2 para doações e financiamento eleitoral em 2014, referentes aos partidos em geral, notadamente ao PT, PMDB, PSDB, DEM, PP. A situação poderá se complicar com a delação de Marcelo Odebrecht que resolveu falar, temeroso do que ocorreu com Marcos Valério no Mensalão, ‘premiado’ com 37 anos de encarceramento.

As revelações das empreiteiras, que já fizeram implodir o sistema político-partidário brasileiro, também lançam muita desconfiança sobre o governo que vier a suceder à sra. Roussef. A corrupção generalizada no sistema político brasileiro, evidencia a necessidade de uma reforma sábia da Constituição — não em mãos do Congresso que perdeu a representatividade e não tem condição de se autorregenerar —, mas por uma Comissão de brasileiros dignos e preparados, isenta de quaisquer compromissos partidários. Reconhecemos haver pela frente passos difíceis e remédios amargos a tomar, embora a sra. Roussef continue, por mais uns dias, a pedalar incrivelmente, todas as manhãs, após dormir o sono dos anjos. Não é mesmo de sarapantar a curumins, cunhãs e pajés de todos os nossos imensos brasis?


Marly Therezinha Germano Perecin

é historiadora.


 
 
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