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Coxinhas e mortadelas
Marly Therezinha Germano Perecin
11/04/2016 14h28
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Aprecio esses dois acepipes. Ocorre que muito me intrigou uma das falas do ex-presidente Lula, revelada em gravação, a respeito de um possível entrevero às portas do edifício em S.Bernardo, onde mantém o seu apartamento. Dizia, em tom de advertência, aos “coxinhas” que os mesmos haveriam de levar muita “porrada” se lhe aparecessem no endereço.

Tenho aprendido palavras novas, ultimamente, graças ao bom Aurélio, dicionarista. Li que “porrada”, constitui expressão chula, correspondendo à pancada com borduna. Neste caso específico pode ser entendida como um caso de turpilóquio, ou seja palavrão! Já, por ilação, entendi serem “coxinhas” os que provêm das elites oposicionistas e golpistas, e, por conclusão, nesse silogismo “careta”, as vítimas perseguidas da situação governista, serem os "mortadelas”.

Tudo se aclareou, quando manifestante aborrecido foi reclamar por haver recebido apenas transporte, pão seco sem mortadela e nada do cachê, numa das últimas manifestações da avenida Paulista. Em síntese, burguesia versus proletários, num esquema de luta de classes e no melhor estilo anarco-comunista. Ora!

Respiremos profundamente, olhando para o Brasil, pátria acolhedora dos povos e das ideologias. Não há luta de classes, esse fenômeno já ocorreu na Europa e foi analisado por grandes pensadores; o modelo políticoeconômico comunista é coisa do passado, não deu certo na Rússia e na Cortina de Ferro, tampouco na China. Todos se abriram para a economia de mercado e para a livre iniciativa, nesta era de globalidade, de grandes inovações tecnológicas e aprimoração do conhecimento.

Não servem os velhos modelos dos séculos XIX e XX. Uma brasileira de renome, conhecedora dos meandros da economia internacional, Monica de Bolle, deplorou a situação de atraso do Brasil, nosso colosso continental, que não se adequou à modernidade, continuando com as mesmas idéias superadas, entre elas a do intervencionismo estatal.

Igualmente, lamentou que o sofrimento resultante da depressão, venha a ser o destino do povo brasileiro. O nosso país perdeu tanta importância nos BRICs que a crise não assusta ninguém do mundo financeiro internacional ( bolsas, bancos e mercados internacionais). Só é digno de pena, diz Mônica.

Erram os que pensam que a sociedade está dividida entre “coxinhas e mortadelas”. Só existe um povo brasileiro, sofrendo na carne as consequências do desgoverno e da crise econômica, não serão as bravatas, as instigações à violência ou promessas de vingança que resolverão os problemas nacionais. Tampouco, as certezas da sra. Roussef ao afirmar que tem cinco ministros na Suprema Corte, além daqueles outros nomeados pelo seu antecessor. Não é levantando suspeita sobre o STF que ela afastará as oposições pois, ao cobrar as lealdades, poderá receber a mesma resposta dada pelo Dr. Rodrigo Janot ao ex-presidente.

O Dr. Sérgio Moro já alertou ao governo para que ouça a voz das ruas e que se convença de que a corrupção sistêmica destrói a democracia, a economia, a qualidade de vida e a dignidade de um povo. Contudo, nada parece demovê-la da sua cegueira. Sem mais tergiversar: no Brasil existem três crises imbricadas, de tal forma malignas que uma alimenta a outra, a econômica, a política e a ética.

O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, declarou que devido às discussões sobre o impeachment, as suas ‘propostas salvadoras‘ se acham paralisadas, tudo ficou em segundo plano, atrasando a recuperação econômica do país. Por outro lado, o governo deseja medidas que independam de aprovação do Congresso para estimular a economia, tais como escancarar o crédito, sem cuidar do ajuste fiscal. A ideia “brilhante” teria Lula como fiador, o mago capaz de fazer restaurar a confiança dos investidores, fazer girar a roda da economia e agilizar o mercado, deslanchar o consumo e reverter a recessão econômica, qual o timoneiro do Titanic! 

Os analistas e os lulopetistas reconhecem não haver meios de enfrentar a crise econômica sem resolver a crise política. O presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, já avisou que as medidas reformistas urgentes, como a da Previdência e a Fiscal, só terão condição de ser apreciadas após a votação do impeachment, assim, o ministro poderá lavar as mãos na bacia de Pilatos, enquanto o desastre se amplia. Deu empate.


Marly Therezinha Germano Perecin

é historiadora.


 
 
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