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Oportunidade
José Faganello
19/04/2016 11h41
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“Eu não sou oportunista. Sou um homem de oportunidades./ Se um cavalo passar encilhado em minha frente, eu monto”. ( Atribuído a Getúlio Vargas - Jornal do Brasil, 17 de abril de 1983) Nossa História Geral é um enorme relato de vários processos que se desencadearam ao longo dos tempos. Eles, numa sucessão impossível de ser detida, foram se encadeando, de uma forma inapelável.

Cada nova fase acarretava mudanças traumáticas, ora causando desconforto, ora promovendo avanços inegáveis, em relação ao passado. Embora existam facetas dignas de admiração, como a arte egípcia, destaque para a arquitetura, o fenomenal legado cultural greco-romano, o riquíssimo acervo do Renascimento, o fantástico desenvolvimento da Revolução Industrial, em todas elas, as injustiças e os imperdoáveis erros não foram poucos.

Desde o teocentrismo dos faraós egípcios, com o totalitarismo despótico, a privilegiar um reduzido grupo sustentado pela multidão explorada, assim como a escravidão legalizada por gregos e romanos e a exploração desapiedada da Revolução Industrial. São exemplos de como a civilização e barbárie sempre viveram num conúbio desconcertante.

Neste início de século, constatamos uma nova época - a da globalização. Assim como das outras vezes, o desconforto é grande, embora grande parte acredite que caminhamos para um mundo melhor, mais justo e mais solidário.

Oportunidades não faltam para que os governantes consigam tornar nosso planeta,um lugar mais pacífico e menos injusto para a maioria.O bom senso nos indica a necessidade de ter um mínimo de equilíbrio e alerta, para o perigo da ambição desmedida.

A fábula da Galinha dos Ovos de Ouro é um exemplo de muito tempo atrás, até agora não levado a sério. O capitalismo depende do mercado, como nós dependemos do ar que respiramos.A política de conter custos reduzindo salários e diminuindo mão de obra é um contra senso. Cada desempregado é um consumidor a menos, que em geral sustenta de três a quatro pessoas. Consequência, a roda da produção começa a travar. Sem consumidor o capitalismo estará destinado à falência.

O Lava Jato está propiciando aos nossos congressistas uma tropa de cavalos encilhados. É a oportunidade de nosso país dar uma espetacular virada em sua história. Para tanto é prioritário acabar com todos os privilégios e condenar os delinquentes, de uma maneira exemplar. Se apenas mudar de mãos a governança e continuar na mesma insensibilidade para com o povo que produz, que ganha mal, com salários ridículos perante os dos que governam e se auto concedem benefícios, estarão clamando por revoltas.

Não haverá muralhas, prisões e leis suficientes para deterem os inconformados. A esperança de um mundo melhor, mais justo e pacífico, parece estar muito longe ainda. O terrorismo, a incapacidade da ONU de ser obedecida e os conflitos eternos entre vários países, não assinalam para tão já a consecução desse sonho.

O Brasil, no momento, é um Titanic, cujos passageiros de primeira classe, embevecidos e alienados pelos acordes da orquestra e do tilintar dos bilhões, não percebem que as águas já estão prestes a ultrapassar os porões e atingirem os da segunda e terceira, que levarão todos de roldão. Getúlio pulou no cavalo encilhado e conseguiu gerir o Estado abusando do populismo. A propaganda apresentava-o como o pai dos pobres e mãe dos ricos. Espero que a mudança que este mês de abril promete não copie o getulismo e muito menos de continuidade ao que vimos até agora.


José Faganello

é professor


 
 
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