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Virtudes republicanas
Marly Therezinha Germano Perecin
18/04/2016 16h05
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Entre tantos fatos a contar sobre o mais importante episódio da história política brasileira, o da Proclamação da República, em 1889, gosto de evocar aquele ocorrido em clima de grande tensão, no Rio de Janeiro, quando se davam os primeiros passos na organização do novo governo, distribuindo-se os ministérios.

Observando Deodoro que os principais paulistas do movimento ali se achavam, levantou a interrogação: “Quem ficou em São Paulo?” Teve por resposta uníssona: “Prudente". Mas, Deodoro continuava insatisfeito: “Quem é Prudente?” Só deu fim ao diálogo, quando veio o esclarecimento: “É o homem de Piracicaba”. A chave deste parágrafo? Prudente era aquele parlamentar distinto, mas sem meias palavras, que nunca hesitava em desnudar as chagas da monarquia, particularmente os episódios das roubalheiras com as loterias e os contratos das linhas férreas que começavam a riscar o território brasileiro.

Ocorriam grandes negociatas em mãos dos protegidos do sistema. A Deodoro bastou que lhe refrescassem a lembrança para dar-lhe a certeza de que o governo de São Paulo estava nas mãos justas e honestas do homem de Piracicaba, nascido ituano. Na citação de um nome, a virtude ou o malfeito se explicitam! Atualmente, vivemos momentos tensos.

O Estado de Direito e a República Democrática implantados no Brasil devem ser conduzidos pelos homens de bem, legítimos representantes do povo, respaldados pelas leis e pelas próprias virtudes. Nada, em nenhum momento, justifica a menor violação do pacto social. Não parece o que vimos assistindo. Governo e seus aliados querem desqualificar o juiz Sérgio Moro por haver infringido o sigilo telefônico da presidente. Só que não era da presidente, sim de um cidadão comum, embora tenha sido no passado um presidente, que estava sob grampo por ordem da Justiça.

Por quais razões aquele magistrado, tão seguro do que faz, teria sido levado a tal procedimento? Para desmascarar o golpe que se tramava nos bastidores do Palácio, qual seja o de conduzir ilegitimamente um cidadão, que não passou por escolha eleitoral, para exercer o governo de fato em Brasília. Ministro da Casa Civil, nomeado a pretexto de encobrir a articulação canhestra e para se safar da Justiça.

Frente à celeuma levantada, as palavras do Dr. Moro foram a pá de cal: ‘os governados, têm o direito de saber o que os governantes tramam nas sombras‘, isto se chama transparência, faz parte do respeito e da honestidade que se devem ao povo. Virtudes republicanas! Faz algum tempo que esse mesmo juiz vem desmascarando políticos, ao revelar o plano tenebroso contra as instituições do país. O Ministro Joaquim Barbosa já havia feito o mesmo com relação ao Mensalão, ou a Ação nº 470.

Ocorre que mesmo ardil continuava em andamento, tamanha a certeza da impunidade associada à idéia de que o governo tudo pode. Em que consistia tal plano? Nada menos que tomar de assalto todas as instituições republicanas e colocá-las a serviço dos seus interesses. Empreitada onerosa, porém viável, se a coisa pública passasse a mando particular. Afinal, o Brasil é rico, as estatais estavam ao alcance das mãos, e havia a gigante Petrobrás, o orgulho dos brasileiros.

Foi rápido e fácil cooptar empresários corruptos e dispostos a superfaturar contratos para fornecer as propinas com que se abasteciam os políticos ou os partidos para a permanência indefinida no poder. O maior beneficiado era o Partido dos Trabalhadores cujo intento de tornar-se hegemônico e se sustentar bolivarianamente no Poder, acabou surpreendido. A sra. Roussef foi escolhida como a criatura destinada a dar continuidade ao esquema de usurpação da República, mas a situação lhe foi adversa.

Primeiro, porque o esquema criminoso foi desmascarado perante a nação; segundo, porque o país mergulhou em seriíssima crise econômica; terceiro, porque o povo se manifestou indignado e não aceitou mais as suas mentiras e cavilações políticas. Hoje se defende o impeachment, a forma civilizada e constitucional de mudança de governo. Não se pode aceitar os primários argumentos da defesa presidencial, tampouco as invectivas de Lula, o exército de Stédile ou as ameaças de Boulos, todos prometendo incendiar o país. O tempo do cangaço passou.


Marly Therezinha Germano Perecin

é historiadora.


 
 
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