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Adeus, canturião Moacir Siqueira!
Rosângela Camolese
16/05/2016 17h13
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A cultura de raiz piracicabana ficou mais pobre na última semana. Perdemos o cururueiro e ex-vereador Moacir Siqueira, um dos últimos representantes do gênero tão popular e reverenciado na cidade e na região. O cururu é um ritmo bastante utilizado na música caipira. Como podemos apreciar e é dito pelos estudiosos, trata-se de um repente, um combate poético, um desafio de trovas ao som de violas caipiras, que nasceu como canto religioso, marcado pela batida de pé. Há controvérsias. Muitas histórias são contadas sobre a origem do cururu.

Alguns pesquisadores assinalam como uma dança ritualística tupi-guarani. Para outros, é uma dança que recebeu influência do misticismo indígena, dos jesuítas e dos negros africanos. Ou seja, é resultado de uma miscigenação cultural tipicamente brasileira. De uma forma ou outra, o ritmo tornou-se conhecido nacionalmente a partir de 1910, pelas apresentações de Cornélio Pires, a partir das criações acontecidas na chamada região do Médio Tietê, compreendida pelo triângulo formado pelas cidades de Sorocaba, Piracicaba, Botucatu e circunvizinhas. Outra controvérsia sobre o mesmo tema está na origem do próprio termo cururu. Uma teoria diz que a palavra é uma derivação de caruru, planta cozida com feijão, em estados do nordeste; outra nos conduz ao próprio sapocururu.

Hoje, aqui em Piracicaba, ele é obrigatório nas festas do Divido e de São Benedito. O ponto alto da apresentação se dá quando o Divino ‘pousa‘, quando é recebido em uma casa. É ali que o cururueiro saúda sua chegada, demonstrando sua habilidade em citações bíblicas, associadas aos festeiros e donos daquele pouso, compondo uma autêntica história. Em outros eventos os temas são livres e incluem conteúdo político, social e até esportivo.

Para execução do cururu são usados viola-de-coco, reco-reco e ganzá que acompanham os desafios de dois violeiros, os repentistas. O tempo é marcado pela viola e pelas palmas do público, acompanhando cada verso e resposta. O cururueiro também é chamado de canturião. Ele sempre é dono de raciocínio extremamente ágil, por muitas vezes irreverente e com forte apelo cômico. Assim era nosso querido Moacir Siqueira! Um dos últimos baluartes da cultura popular piracicabana e um nome de destaque em toda região, quando se fala desta arte.

Com suas rimas inconfundíveis, ele era o centro da chamada Caravana da Vitória que percorria quilômetros com o objetivo de divulgar e valorizar o melhor da música caipira de raiz. Com mais de 30 anos de estrada, ele foi convidado por várias vezes para se apresentar na capital do Estado, dentro do Palácio dos Bandeirantes, saudando governadores, prefeitos e outras autoridades com repentes que arrancavam aplausos e elogios. Nessa mesma linha, foi à Brasília, apresentou-se nos programas Som Brasil, Viola Minha Viola e tantos outros em rede regional e nacional, levando e elevando nossa cidade.

Em 1971, faturou o primeiro lugar da competição organizada pela Rádio Convenção em Itu, ao lado de outros grandes nomes: Parafuso, Pedro Chiquito e Zico Moreira. Dentre as homenagens de que foi merecedor, está a Comenda da Câmara Municipal de São Paulo pelos relevantes serviços prestados à comunidade piracicabana. Entre nós ele deixa saudades. Funcionário que foi da secretaria de Cultura, estava sempre disposto a colaborar onde fosse necessário, sem deixar de lado, em momento algum, a alegria e a paixão pela trova que só os bons sabem fazer.

À família, nosso carinho e nosso respeito pela perda. Particularmente, temos a certeza de que, onde quer que ele esteja, estará espalhando sua arte e torcendo para que consigamos estimular as novas gerações a aprender e contar belas histórias pelas trovas e rimas do cururu. Vá em paz, amigo e canturião Moacir Siqueira!


Rosângela Camolese

É secretária da Ação Cultural.


 
 
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