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Cheiro de novidades ou tudo na mesma
Marly Therezinha Germano Perecin
23/05/2016 16h58
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Durante 180 dias viveremos um período anômalo, em que o País estará ao comando de um jurista constitucionalista, o Dr. Michel Temer, que também é professor. Enquanto o presidente interino tentar por ordem na casa e iniciar algo a favor da economia, no Senado se procederá à instrução do processo que dará ensejo ao Parecer que será votado e julgado.

Em setembro deste, a oposição necessitará de 54 votos no colegiado de 81, para que a sra. Roussef seja condenada e o debate jurídico encerrado com a sentença final. Engana-se quem pensar, ‘ufa, acabou’. Não, as coisas só estarão continuando num ritmo de incertezas e sobressaltos, porque outra ameaça à estabilidade governamental vem a caminho, através do julgamento da ação no STE ao pedido de cassação pelo PSDB da chapa Dilma-Temer, na eleição de 2014. Da viabilidade dessa ação, poderemos ter eleições gerais, ainda nesse ano corrente.

Neste semestre, o Dr. Temer terá a espada sobre a cabeça e a sua sorte dependerá do que vier a conseguir, logo nas primeiras semanas, na precária arrumação da casa em estado de caos, e da atuação favorável dos políticos do Congresso, criaturas fisiológicas que perderam totalmente a sua representatividade, sempre atrás dos seus interesses particulares em detrimento do povo brasileiro e que não perdem a oportunidade de mamar nas tetas da República.

Corre o risco de deixar tudo na mesma, por não conseguir atender à opinião pública, que exige moralidade e mudanças, e os partidos que só sabem agir pelos velhos métodos, nem desejam as mudanças que ameacem os seus cargos e privilégios. Não enxergam ou não querem entender que se acham no lado adversário aos interesses da sociedade, são nocivos. O Dr. Temer terá de lidar com esse tipo apodrecido de políticos e poderá não ser o reformador que a sociedade exige e o país necessita.

Sabe que tem de obter uma base aliada no Congresso. No cálculo da metade, mais um dos votos, seja na Câmara Federal ou Senado, para passar as suas propostas. Os políticos barganham vantagens, querem cargos e ministérios, solapam e impedem que a agenda reformadora do novo presidente tenha sustentabilidade. Para eles, capacitação e competência técnica pouco importam. Conclui-se que a intenção reformadora fica inibida pela realidade corrupta do Congresso. Entendemos o empenho do Dr. Temer, torcemos para que tenha êxito mas, como poderá tomar as medidas duras e saneadoras de reorganização do país? O prazo de que dispõe é muito curto, e quase não poderá errar.

Se conquistar a confiança da nação nos primeiros atos, terá alguma chance de chegar a 2018. Logo de início, terá pela frente o prometido recionarismo dos dilmistas e lulistas que prometeram infernizar-lhe a vida e, quiçá, incendiar o país, bem como os políticos corruptos que resistem em não perder as suas boquinhas. A sra. Roussef afirma que permanecerá ‘lutando‘, comodamente estabelecida no Alvorada, com quinze assessores, mordomias e alto salário; o mesmo valendo para Eduardo Cunha. Cruel realidade!

Esquivar-se de uns e satisfazer os apetites dos outros para construir uma base aliada no Congresso é missão difícil. Não será com essa gente que poderá atravessar a Ponte para o Futuro, livrar-nos da tragédia dos onze milhões de desempregados e da inflação, dos enfermos morrendo às portas dos hospitais. Sabemos que sem uma urgente reforma moralizadora do sistema político brasileiro o Dr. Temer pouco haverá de conseguir. Como e por que razões deputados e senadores votarão contra si mesmos?

As faxinas no Congresso, nos estados da federação e nas prefeituras dependerão de mudanças na Constituição, no sistema eleitoral e político brasileiro, terão de reclamar as intervenções da sociedade que deverá exigir a aplicação da Lei da Ficha Limpa, a responsabilidade, a competência e a seriedade dos candidatos em quaisquer níveis, bem como a transparência nos trabalhos legislativos, e a ação vigilante dentro dos Três Poderes.

Parece que o povo começa a acordar, fala-se nas esquinas sobre a situação brasileira e existe consenso sobre a necessidade de grandes mudanças. O meninão Brasil está amadurecendo, nascendo para uma consciência política realista e para a cidadania crítica. Poderá exigir a necessária renovação, é tudo o que desejamos.


Marly Therezinha Germano Perecin

é historiadora.


 
 
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