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José Faganello
03/05/2016 11h31
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“Eles falam de mim. Ah, se conhecessem como eu me conheço!” ( Epiteto, sec. 2 D.C.) A história da humanidade é pontilhada por inúmeras crises e disputas entre as nações. Há as resultantes das forças da natureza — terremotos, vulcanismos, secas prolongadas, tufões, catastróficas inundações, etc. As destruições de extrema virulência aumentam a vulnerabilidade da região afetada.

Sua evolução pode ser positiva ou negativa, dependendo de como são restauradas. Houve países que sofreram grandes catástrofes e conseguiram superá-las, melhorando o padrão de vida da população, dois exemplos indiscutíveis são Japão e Alemanha, após a Segunda Grande Guerra. Outros, que pouco sofreram, não conseguem deslanchar, mesmo possuindo riquezas naturais em grande escala, como é o caso de nosso país.

No lugar de melhorar, piorou o atual padrão de vida, pois seus governantes não se dedicam a melhorar a Nação, basta ver a qualidade das obras construídas, e comparar a recuperação do Japão, após o tsunami e o desastre de Mariana. O homem como construtor da história tem um retrospecto de erros grosseiros e de provocar mais crises do que a natureza. Infelizmente, não aprendeu com seus erros, mas os ampliou ao repeti-los e aumentá-los.

Em nosso cotidiano, o ideal é ter um convívio cordial, sabendo conviver com as diferenças de opiniões, gostos, religiões, posição social etc. Fernando Pessoa deixou-nos um recado precioso: “Como é por dentro outra pessoa? Quem é que o saberá sonhar? A alma de outrem é outro universo, com que não há comunicação possível, como não há verdadeiro entendimento. Nada sabemos da alma, senão da nossa; as dos outros são olhares, são gestos, são palavras, com a suposição de qualquer semelhança no fundo”.

Em nosso dia a dia temos contatos com inúmeras pessoas, tanto conhecidas, por mais próximas,como outras, descodesconhecidas. Nesses contatos encontraremos diferentes opiniões e múltiplas ocasiões para o mal entendido e para uma hostil ruptura. Para uma convivência pacífica e duradoura, devemos nos convencer que as opiniões, os gostos, o tom de voz e o modo de ser decorrem do entrelaçamento do caráter, talento, ambiente, educação e DNA.

Assim como nós sofremos mudanças de humor, muitas vezes entendemos mal aquilo que escutamos, ou recebemos falsos relatos de alguém. Pensando bem iremos admitir que o outro não é tão diferente. É inata a parcialidade em favor de nós mesmos. As regras da boa educação ensinam-nos que devemos evitar o choque de orgulhos, pois a presunção presente em cada um é que provoca rompimentos injustificáveis. Quantos se magoaram, ao pensar ter recebido tratamento injurioso, quando a ofensa não era tão grande quanto imaginam. Ao passar do tempo, muitas vezes chegaremos a conclusão que foi um equívoco do ofensor, ou nosso.

Bertrand Russel, um de meus favoritos pensadores, em poucas palavras, dá uma aula para ensinar como ser condescendente: “Se a todos nós fosse concedido o poder, como num passe de mágica, de ter a mente de uns dos outros, suponho que o primeiro efeito seria que quase todas as amizades se desfariam. O segundo efeito seria sentido como intolerável, e nós teríamos de aprender a gostar uns dos outros, sem a necessidade de um véu de ilusão para esconder de nós mesmos que não consideramos uns aos outros pessoas absolutamente perfeitas.

Sabemos que nossos amigos têm suas falhas, e que apesar disso são pessoas de um modo geral aprazíveis, das quais gostamos, considerando intolerável, no entanto, que tenham a mesma atitude conosco. Esperemos que pensem, ao contrário do resto da humanidade, que nós não temos falhas; tomamos esse fato óbvio com demasiada seriedade.

No momento, em nosso Brasil há um embate político entre dois blocos irredutíveis, que até agora só pensaram a ficar no poder e dele se locupletarem. Se quem vencer não buscar moralizar a gestão da coisa pública e trabalhar para o bem da Nação, continuaremos no buraco que eles cavaram.


José Faganello

é professor


 
 
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