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Sob riscos, caiu o novo ministro da República das Jararacas
Marly Therezinha Germano Perecin
09/05/2016 17h03
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Só para recordar aos povos de fraca memória. Nem todos. Não se trata da fracassada tentativa de coroar D.Lula I, na mais estrambótica das aventuras brasileiras, porque o auto declarado ‘metamorfose ambulante’ se assumiu como jararaca e arruinou a biografia que o tornara admirável, durante as greves do ABC, a campanha das Diretas Já e presidente eleito pela esperança dos pobres.

Pena! Com a Lava Jato nos calcanhares, foi conduzido sob vara a depor na Polícia Federal e, vazando ódio, disse em entrevista pública o que não devia e nem podia. Aí, a sra. Roussef, que mantinha certa cautela, decidiu-se a agir porque também se viu ameaçada pela Lava Jato, após as delações do senador Delcídio Amaral. Foi prestar-lhe a solidariedade de criatura e chefe de Estado e, não bastando, decidiu-se a nomeá-lo Ministro da Casa Civil, entornando de vez o caldo, pois o juiz Sérgio Moro levantou o sigilo das conversas telefônicas de Lula e o país inteiro tomou conhecimento das tramas de ambos.

Revelou-se o verdadeiro golpe palaciano, onde um cidadão comum seria levado a governar de fato o país, sem a legitimidade do voto popular. Desmascararam-se os propósitos de ambos e o que se viu e ouviu na TV foram discursos furibundos da presidente que perdeu inteiramente a postura de primeiro magistrado da Nação e, simultaneamente, as bravatas, as ameaças proferidas pelo ex-presidente, as instigações à violência, o desdém pelas instituições brasileiras, e, o que é pior, a falta de resposta quando é apontado como o ‘capo’ da quadrilha que assaltou o poder e colocou a 10ª economia do mundo em recessão. Ai, dos pataxós!

Por sua influência, choveram condenações de juristas sobre o Juiz Sérgio Moro, mas este assegurou que o povo tem o direito de saber o que governantes tramam nas sombras -isto se chama transparência-, é virtude republicana. Dois ex-ministros da Corte Suprema também lhe deram respaldo, Carlos Ayres Brito — pelo princípio da isonomia, ninguém está acima da Lei —, e Carlos Velloso que não viu excesso, havia real motivo.

Agora que o julgamento do processo de impeachment está no Senado, veremos como se comportarão aqueles parlamentares sob a batuta de Renan, pois haverá 54 senadores do lado da oposição, o que basta para afastar a sra. Roussef do comando da catástrofe. Dois ministros da Suprema Corte, Dias Toffoli e Carmem Lúcia, já vieram a público declarar que o impeachment é um instituto constitucional, um recurso legítimo da República Democrática e do Estado de Direito, derrubaram os obsoletos bordões dilmistas.

Urge encontrar uma solução para a crise e repor o Brasil nos trilhos do crescimento econômico, não podemos perder o que conquistamos em cinco séculos de história. A questão pode ser colocada em dois tempos: assumir um novo governo (pacto social) disposto a enfrentar e resolver os problemas da economia, respaldado pela Lei e pela aprovação da sociedade, que por sua vez deverá colaborar. O Day After não poderá conter incertezas e jeitinhos, manobras clientelistas nem discursos para tolos. A duríssima conjuntura poderá ser superada caso o novo governo venha a apresentar um projeto realista, exequível a médio prazo, suficiente para retomar a reconstrução do país, restaurando a confiança do empresariado, gerando empregos, derrogando as mazelas do clientelismo e dos privilégios.

Governo sério, ministros competentes, equipe legitimada pelos resultados e compromissos com as instituições, é tudo o que o país precisa. Não podemos correr o risco de trocar um governo corrupto por outro. Ao povo e à imprensa caberão o exercício da vigilância sobre os controladores do poder, pois sabemos não haver país que aguente sucessivos impeachments e cassações. Não somos uma Angola ou Nigéria. Temos o dever de assegurar a maturidade da nossa Democracia e o vigor da Justiça, para a nossa sobrevivência e o futuro dos nossos filhos e netos. Fazemos parte de um país rico e generoso, infelizmente cobiçado por predadores, desde os primeiros tempos coloniais, já pagamos altíssimo preço pela nossa ingenuidade e boa fé aos engodos dos falsos profetas. Chegou a hora de dizer basta aos espertalhões e aventureiros.


Marly Therezinha Germano Perecin

é historiadora.


 
 
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