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Solução
José Faganello
21/06/2016 07h32
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“Na vida não existem soluções. Existem forças em marcha; deve-se criá-las, e as soluções se seguirão”. (Saint - Exupéry)

Na atual encruzilhada em que está nosso país, parece que a palavra solução, que o dicionário esclarece que significa resolver um problema ou resposta a uma questão, não nos serve no momento. No entanto, parece haver a esperança que Exupéry nos acenou e que aparentemente estamos acompanhando: forças em marcha, que devemos abraçá-las, para, só então conseguir soluções para nossos mastodônticos problemas políticos, financeiros e sociais.

Vagarosa no início, a marcha está substituindo os administradores irresponsáveis, para colocar outros, que deverão livrar-se das artimanhas daqueles que desejam derrubá-los ou, conseguir aumentar ainda mais seus indecentes privilégios. Há uma lei da física, ainda não contestada, que afirma: “a toda ação haverá uma reação”. Aqueles que estão tomando o comando, como uma reação vitoriosa, vão ter de lidar com falsos aliados, que não se pejam de cobrar caro seus apoios, e não terão nenhum escrúpulo em traí-los.

A crise está de tal monta, que os operários, no momento, se sentem gratos em estar acorrentados em uma máquina, com um salário aviltado pela alta inflação. O desemprego é a ameaça que lhe tira o sono e abafa qualquer reinvindicatória. Com a invenção das máquinas, sonhava-se que o homem não só as dominaria, como seria parceiro dela e do capitalista, que o tornaria capaz de prosperar irmanados participando dos lucros e conseguindo safar-se da vida miserável que levava.

Atualmente, as forças em marcha reverteram essa expectativa. O mundo globalizado não dá espaço para pieguices. Reengenharia, eficiência, custo zero são expressões correntes, e tidas com a convicção de dogmas. Como somos produtos de nossa época e das forças em marcha, estamos, a cada dia, mais convencidos que é assim mesmo, e que é inútil pensar diferente. Cada vez mais, tudo o que é considerado ineficiente, dispensável, obsoleto, é colocado de lado.

Por enquanto, operários substituídos por máquinas automotivas, aposentados que teimam em não morrer, filhos de desempregados, subempregados, abandonados pelas ruas, são as maiores vítimas. Vítimas da má gestão de nossos governantes. E amanhã, qual será a reação? Ao chegar a este ponto dos meus arrazoados, veio-me em mente a célebre frase de Dante Alighieri que na sua obra Divina Comédia, colocou na porta do inferno a frase: ‘Lasciate ogni speranza, voi ch’entrate’ (deixai toda esperança, ó vos que entrais).

Há motivos de sobra para duvidar que será agora a redenção do nosso Brasil: O governo provisório terá o tempo necessário e o apoio para melhorar alguma coisa? Terá forças para enquadrar os vendilhões da Pátria, governantes e empreiteiros que, com o que roubaram, têm em mãos o suficiente para subornar à vontade, num país carente de ética, civismo e repleto de analfabetos e gananciosos. E há um agravante maior ainda, será que os donos do capital, espoliados pela voracidade fiscal, conseguirão do novo governo, baixar o ‘Custo Estado’, que lhes arranca a possibilidade de reinvestimentos em suas firmas, impossibilidade esta agravada pelo desemprego, que lhes tira clientes e pela concorrência internacional, pela alta do dólar.

Vai ser difícil encontrar quem descubra uma solução capaz de dissolver todos estes problemas. Haja coração! Se Drummond estivesse ainda entre nós, certamente desejaria opinar por uma solução, mas, inevitavelmente, mesmo se eu me chamasse Raimundo, repetiria estes seus versos: “Mundo mundo vasto mundo/ Se eu me chamasse Raimundo/seria uma rima, não seria a solução”.


José Faganello

é professor


 
 
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