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De onde veio o conceito de Ação Cultural?
Rosângela Camolese
25/07/2016 11h33
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Num livro que escreveu para a editora do Sesc, A invenção da política cultural, Philippe Urfalino tentou desvendar as origens do conceito de ‘ação cultural’ no mundo.

Segundo ele, pode ter vindo de pelo menos três momentos: as missões pedagógicas da República Espanhola, o Conselho das Artes inglês e o Ministério dos Assuntos Culturais francês. Contudo, foi com a ascensão de Andre Malroux ao Ministério da Cultura na França, em 1959, que o conceito passou a ser difundido e ampliado, na perspectiva de fazer da cultura não só um instrumento de produção e reprodução, mas de participação e elevação do grau de consciência da sociedade em suas relações pessoais.

O autor afirma que André Malraux e seu ministério inventaram as políticas públicas para cultura que não só inauguraram o Ministério, mas desenvolveram o primeiro modelo conhecido, chamado democratização da cultura.

Já em 1960, no Brasil, o educador Paulo Feire defendia ideias de uma ação cultural intrinsecamente ligada à educação.

Nos anos 1970, os filósofos Horkheimer e Adorno sistematizavam as premissas do que viria a ser chamada de indústria cultural.

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Ilustração: Erasmo Spadotto

Ocorre que para oferecer cultura a milhões de pessoas, são precisos certos processos de reprodução, e assim, inevitavelmente, chegam as necessidades para serem satisfeitas com bens padronizados de produção.

Atento às grandes discussões mundiais e recém-chegado à Prefeitura de Piracicaba, em 1977, João Herrmann Neto tratou de promover uma grande reforma administrativa no Município, que incluiu o desmembramento das secretarias de turismo e cultura.

Ao contrário da maioria das prefeituras do país, que denominam seus espaços de gestão político-administrativa da área como Secretaria de Cultura, Piracicaba passou a denominar este espaço de Secretaria da Ação Cultural (Semac), funcionando, ainda, de forma precária, no Teatro Losso Netto, tendo o professor Alceu Marozzi Righeto como seu primeiro coordenador.

Foi só em 1992, através do Decreto Lei 5655, que o então prefeito José Machado criava formalmente a Semac, tendo como objetivos principais a promoção do desenvolvimento cultural através do estímulo às artes e outras manifestações, contribuindo para a liberdade de pensamento e criação; o estudo, a proposição e a negociação de convênios com entidades públicas e privadas para a implementação de programas especiais de cultura em articulação com as demais secretarias municipais; e as ações visando o levantamento, a documentação e a proteção do nosso rico patrimônio arquivístico, arquitetônico, histórico e artístico.

Outros importantes pesquisadores também procuraram compreender o sentido do conceito de ação cultural.

De acordo com posições defendidas por Coelho Neto, além de definir-se como área específica de trabalho, ensino e pesquisa, constitui-se num conjunto de conhecimentos e técnicas com o objetivo de administrar o processo cultural - ou a falta dele, como é mais comum - de modo a promover, uma distribuição mais democrática dos bens culturais. Outro livro da editora do Sesc, denominado Cultura e Ação Cultural, de Newton Cunha, traz uma contribuição à sua história e conceitos.

A ação ou animação cultural pode ser definida como uma intervenção simultaneamente técnica, política, social e econômica, levada a efeito pelo poder público ou por organismos particulares da sociedade civil, que concebe, coordena, gere ou participa de programas, projetos e uma variada gama de atividades.

Piracicaba avançou e tem avançado velozmente não só na promoção de grandes eventos, exposições e festivais nas vertentes das artes visuais e cênicas, música, dança, humor, festas populares entre outras, procurando aliar-se em parcerias público privadas para legar à sociedade estímulos de cultura para a ampliação do grau de compreensão sobre a realidade e os seus desafios mais contemporâneos, contribuindo para formação de uma sociedade mais justa, humana e fraterna.


Rosângela Camolese

É secretária da Ação Cultural.


 
 
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Comentários

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    Augusto Assis Cruz Neto - 11/08/2016 12h54
    A matéria monstra a especial atenção dada à área cultural pelo município piracicabano, nos últimos 50 anos. E essa especial preocupação com a cultura - que inclui uma concepção mais ampla e moderna sobre como ela deve ser tratada pelo poder público ("ação cultural") e vai até a sua aplicação prática, por intermédio de uma programação variada e destinada a atingir todos os extratos sociais -, é facilmente percebida pela comunidade, que desfruta dos benefícios que isso lhe trás e reconhece a competência com que os gestores públicos cuidam do assunto - e entre tais gestores, a própria Rosângela Camolese, autora da matéria e responsável por manter as ações culturais piracicabanas no nível de excelência que elas devem ter. Desse modo, gostaria de parabenizar a Secretaria da Ação Cultural Rosângela Camolese pela matéria e por todas as suas ações culturais!