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O quê somos?
José Faganello
19/07/2016 09h23
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“Somos a memória que temos e a responsabilidade que assumimos. Sem memória não existimos, sem responsabilidade talvez não merecemos existir” (José Saramago). Recebi de Maria Ângela Aprilante, fiel leitora do Jornal de Piracicaba, a mensagem acima, de José Saramago, brilhante escritor português. Veio com a advertência: “O Ademar me enviou; é assunto que você gosta”. Respondi, muito obrigado, vai dar um artigo.

Foi providencial, pois, um pouco antes estava lendo sobre a tendência dos luminares da nossa rede educativa, que estão propensos a eliminar, da grade curricular, o estudo da História Antiga, ou seja, acabar com a memória de nossas origens. Resolvi escrever sobre o assunto, no exato momento que recebi a mensagem da Maria Ângela, que me incentivou, ainda mais, discorrer sobre o tema.

O grande tribuno romano Marco Túlio Cícero, afirmou: “A História é a mestra da vida”. É através dela que ficamos sabendo que chamamos de civilização uma cultura, quando alcança um nível de progresso, no qual a escrita tem largo uso, as artes e as ciências em um relevante grau e as instituições sociais, políticas e econômicas podem resolver os problemas de uma sociedade complexa.

Para facilitar o estudo da História, dividiram-na em períodos, alguns longos, outros não. O critério foi quando surgia um episódio de tal relevância, a ponto de dar uma guinada perceptível, no rumo das coisas. A introdução é pela Pré-História, quando os homens não possuíam a escrita, eram nômades em busca de alimentos, mas deixaram vestígios em cavernas, planícies e montanhas, ou seja, por onde passavam.

A História Antiga inicia-se com o aparecimento da escrita (4.000 anos A.C.), até 476 D.C, (Queda de Roma, que foi o marco do fim do Império Romano do Ocidente, invadido por sucessivas hordas bárbaras. Os romanos chamavam de bárbaros aqueles que habitavam fora de suas fronteiras). Em 473 iniciou-se a Idade Média ou Período Medieval, que durou até 1453, com a tomada de Constantinopla, capital do Império Romano do Oriente. A História Moderna, iniciada em 1453, durou até 1789, com a queda da Bastilha, início da Revolução Francesa, que determinou o progressivo desaparecimento das monarquias.

A História Contemporânea começou em 1789 e perdura até nossos dias, mas há quem argumente que já estamos em uma nova era, a partir de 11 de setembro de 2001, tendo como marco a queda das Torres Gêmeas, em Nova Iorque. Privar a juventude atual desse cabedal histórico será diminuir drasticamente sua memória, portanto apequenar o que ela será. Cícero, ao afirmar que a História é a mestra da vida, quis dizer, que devemos conhecer o passado, e conhecê-lo bem, para podermos evitar os erros nele cometidos e procurar tirar proveito dos acertos.

Desconhecer a arte egípcia, mesopotâmica, o brilhantismo das navegações fenícias, os ensinamentos dos hebreus, persas, gregos, romanos e outros mais, é fornecer uma educação sem alicerce. Ignorar do passado, a literatura, teatro, filosofia, pintura, ciência (matemática, medicina e arquitetura) é empobrecer o conhecimento da atual juventude.

Saramago foi de uma precisão incrível ao dizer que somos a memória que temos. Só teremos um grande cabedal memorizado, se fornecermos ao nosso cérebro vastos conhecimentos. Assim mesmo, por mais que estudemos, nosso saber é uma gota em meio ao oceano do que nunca saberemos. Diminuir o estudo da História é uma irresponsabilidade. Saramago foi categórico quanto a responsabilidade - “sem responsabilidade talvez não merecemos existir”.

Mesmo com o estudo da História, até agora ministrado em nosso país, temos um panorama tétrico, pois aqueles que nos governam e os empreendedores que deviam zelar pela saúde da Nação, não aprenderam nada, daquilo que a História mostra, basta o exemplo do Império Romano, que ao aceitar a corrupção em alto grau, sumiu do mapa, nem o idioma sobrou.

A abençoada Operação Lava Jato, está tentando consertar o enorme buraco que se abriu, mas com o inacreditável número de irresponsáveis que nos governam, que têm o dever de trabalhar para o bem da Nação, se não houver o apoio maciço da população, nosso Brasil terá um futuro trágico para nossos filhos e netos. Não posso acreditar que nosso judiciário não conheça a História, tanto a geral como a de nosso país. Se conhecem, devem ser justos, mas postergar sentenças indefinidamente, através de recursos agravos capciosos, não é justiça, pois justiça tardia é injustiça. Eles deixarão na memória da História uma biografia manchada de opróbrio e não merecem sua existência.


José Faganello

é professor


 
 
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