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Entre jaburus, jararacas e javalis (1)
Marly Therezinha Germano Perecin
22/08/2016 11h06
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Os partidos políticos da atualidade estão sob as lentes dos cientistas sociais, a análise revelando, entre outras coisas, a caricatura de uma oligarquia obsoletizada, decadente e altamente perniciosa, enquanto não for substituída por novas elites.

Está dividida em corporativismos epigrafados por siglas que não dizem nada, salvo interesses oportunistas.

Nos estados da federação integram uma variada ‘fauna‘ de aves, répteis e mamíferos, também na corte surreal dos políticos de Brasília e dos parlamentos menores, que estamos fartos de identificar pelas manchetes da imprensa, e cuja tendência é aumentar para usufruir os fundos eleitorais que engordam as suas vorazes ‘boquinhas’.

Têm enorme peso os partidos políticos capitaneados por figuras simbólicas como o PT de Lula , o PSDB de Fernando Henrique Cardoso, o PMDB de Romero Jucá, o DEM de Agripino Maia.

Hoje, o PT arrasta a culpa pelas desgraças do Brasil e poucos apostam na sua sobrevivência, se, não evoluir para uma verdadeira esquerda. Será difícil ganhar eleições, por melhor que lhe pareça o marketing e lhe sobre muito dinheiro, havendo o seu patrono por chefe de uma organização criminosa, mentor do mensalão, do petrolão e todos os ilícitos que se revelam a cada dia.

Não colam as imagens de vítimas perseguidas do neoliberalismo e do golpismo, tanto para ele quanto à Dilma.

Ou o PT se livra dos dois ou se divide em novos partidos para sobreviver e recomeçar do zero.

Outro membro da oligarquia partidária do Brasil é o chamado Centrão, uma exótica confraria, sem ideologia, sem projeto para o país, uma composição amorfa que reúne representantes de treze legendas constituídas por políticos inexpressivos culturalmente, mas gananciosos e oportunistas ( fisiológicos), integrados notadamente pela bancada BBB ( do boi, da bíblia e da bala).

O seu representante máximo é Gilberto Kassab (PSD), que já passou por tudo quanto é cargo político e hoje é ministro de Temer, em Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação.

Como já houve outros Centrões no passado, lembra-se que o atual surgiu no primeiro governo Lula, quando este se achava empenhado em criar uma base parlamentar sólida para apoiar todos os seu projetos enviados ao Congresso.

Quando o deputado Eduardo Cunha assumiu a liderança do PMDB na Câmara Federal, tornou-se o novo mentor do grupo, verdadeiro suserano, onde todos lhe deviam cargos, favores eleitorais e lhe beijavam as mãos.

Sob a sua regência, o Centrão converteu-se em potência, dotada de 217 deputados, fiéis a todas as armações que o mestre mandava. No odioso combate entre Dilma e Cunha, este sempre levou a melhor, inclusive, aceitou o pedido de impeachment apresentado pelas forças de oposição ao governo.

A batalha teve momentos de tensão e contrapartida, gerando o afastamento de Cunha por decisão da Suprema Corte, porém, apesar de afastado e ameaçado de cassação, o chefão ainda revela força e pode causar estragos consideráveis.

Dizem que Temer se apavora com as suas possíveis represálias, que foi obrigado a aceitar e negociar com o Centrão e custou-lhe caríssimo o apoio desses fisiologistas no momento da aprovação da ‘dívida fiscal’ (o ajuste) de R$ 170,5 bilhões, seguido da demanda pela DRU (a Desvinculação das Receitas da União), que prevê um teto para os gastos do governo, mas que necessita de uma medida de adendo à Constituição, a PEC 241.

Para ser homologada exigem-se os votos de 3/5 da Câmara Federal e 49 do Senado. Temer fica em dificuldades, pressionado por Meirelles e sujeito às chantagens do Centrão. Restam-lhe outros embates com esse grupo para chegar às reformas estruturais que pedem urgência, como a reforma da Previdência e a Trabalhista, onde deverá enfrentar as centrais sindicais e seus grupos de apoio, que se recusam a aceitar a redução dos direitos adquiridos de longa data.

Temer já externou o seu desejo de ‘desidratar’ o Centrão e para isso vem obtendo algumas pequenas vitórias como a de Rodrigo Maia, que favoreceu nas sombras e só foi possível mediante articulação entre o PSDB e o PCdoB, graças a Aécio Neves e Orlando Silva.

No segundo turno, grande parte do PT votou em Maia, enquanto Lula e o Centrão, que apoiavam Rogério Rosso, foram derrotados. Não é a toa que o grande interino vem engordando, entre tantos almoços, jantares e sopinhas.


Marly Therezinha Germano Perecin

é historiadora.


 
 
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