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Uma parte da raiz
Marcelo Pelucio
02/09/2016 10h51
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Temperamento e personalidade são assuntos que, apesar das constantes descobertas, seguem difíceis de entender com exatidão.

Sem nenhum tipo de reducionismo — apenas para simplificar, a personalidade está associada aos fatores sociais; o temperamento às particularidades biológicas.

Em todas as épocas, filósofos, pensadores e cientistas, tais como Hipócrates, Aristóteles, Descartes, Pavlov e tantos outros, procuraram entender e oferecer explicações.

Na atualidade, os neurocientistas buscam respostas nas propriedades do sistema nervoso e pesquisas sobre o comportamento.

Quais são as diferenças fundamentais?

O temperamento está ligado ao resultado evolutivo da vida — é físico e válido para os humanos ou até para outros animais.

Desde o nascimento está desconectado dos processos de individuação e abrange as qualidades formais de comportamento, independente do conteúdo subjetivo.

São mecanismos fisiológicos inatos, mas alguns efeitos ambientais e cognitivos têm o poder de modificá-los.

A personalidade permeia as questões sociais e históricas.

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Ilustração: Erasmo Spadotto

Trata-se de um fenômeno típico dos humanos e, até o presente momento, não é reconhecida pelos cientistas em outras espécies.

Inexiste no nascimento e será criada com a interação social — este convívio montará a representação da individualidade moral, aspectos de si e expressos para o mundo.

As fontes de sensações exteriores ou interiores do corpo, tais como sede, fome, medo, prazer ou desagrado, atuam desde o nascimento e, independente das necessidades pessoais, promovem condicionamento e a qualidade de cada estímulo alterará os níveis de resistência orgânica (psicossomática).

Em determinados temperamentos, as características individuais são manifestadas de forma diferente — quando dois bebês univitelinos experimentam as mesmas condições, um pode chorar ou rir mais do que o irmão, diferirem na intensidade da expressão das reações, alguns tranquilos e outros com movimentos constantes.

Entender a personalidade de alguém depende de como você verá o outro.

Sua cultura, princípios morais e crenças, ambiente em que cresceu e estudou, professores, colegas e o próprio temperamento interferem neste ‘julgamento’.

É possível padronizar a personalidade e conter os rompantes de alguns temperamentos?

O desenvolvimento pessoal apresenta traços marcantes, influencia a personalidade e a capacidade intelectual do indivíduo.

Seríamos máquinas digitais se o temperamento e personalidade pudessem ser determinados previamente.

Os pais, cuidadores e professores têm grandes responsabilidades ao moldar o caráter dos jovens, precisam encontrar a metodologia adequada, fortalecer os vínculos afetivos e atender os anseios desses seres em formação — uma tarefa árdua e necessária.

A aquisição de conhecimento é contínua.

Quem deixou de aprender algumas coisas na infância poderá alcançar novas habilidades — sociais, numéricas, artísticas, verbais... a cada introjeção, os traços da personalidade mudam e a autoestima melhora.

Aquele que se mantém flexível mesmo na vida adulta, lidera este trabalho em si mesmo, expressa o ‘fluxo’ real e tangível entre caráter e comportamentos sempre alinhados com os seus interesses e aceitos na sociedade.

Se temperamento e personalidade forem utilizados como insumos numa obra arquitetônica vivencial, o temperamento, advindo dos processos evolutivos, será o alicerce ou parte da fundação que suportará toda a estrutura humana.

E ao redor dele, o edifício da vida florescerá esculpido nas máscaras da personalidade. Uma fundação instável desestabiliza qualquer prédio.

Faça um trabalho de base, mantenha uma escalada diária rumo aos novos ambientes, convicções e crenças.

Por vezes, partes existentes precisam ser derrubadas — análogo às cidades milenares, refazer o ‘hoje’ significa sobrepor as construções de ontem.


Marcelo Pelucio

É psicólogo, jornalista e empresário falecom@marcelopelucio.com.br.


 
 
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