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Inflação ainda alta
Jaime Leitão
11/01/2017 12h16
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Por mais que o governo e o Banco Central insistam na tese que a inflação está a cada dia mais distante do teto da meta, se aproximando do centro da meta, a percepção dos consumidores é outra.

Ainda mais, com as despesas de início de ano, como o IPVA, o IPTU e vários impostos, a sensação é de que o dinheiro está cada vez mais encolhendo, perdendo o seu valor de maneira preocupante.

Nos supermercados, diversos produtos, como a banana, o mel, o inhame e outros estão com o preço lá nas alturas.

Os combustíveis, tanto a gasolina quanto o etanol, vêm pressionando os preços para cima, com altas uma atrás da outra. Um amigo comentou: É engraçado.

Quando a Petrobras abaixa o preço dos combustíveis, a diminuição não chega ao bolso do consumidor.

Já quando aumenta, o efeito é instantâneo. Mesmo com essa penúria toda, recessão batendo à nossa porta diariamente, a inflação resiste, o que não deixa de ser estranho.

Mesmo o preço dos imóveis, tanto para alugar quanto para venda, com tão pouca demanda, caiu menos do que se esperava. Com consumo baixo, o normal seria que a inflação caísse de forma mais acelerada, mas ela resiste e, com isso, trava a recuperação da economia e, em consequência, dos empregos.

Os mais de 12 milhões de desempregados têm uma rotina diária de envio de currículos que quase sempre não resulta em contratação. E quem consegue aceita ganhar a metade ou até menos do que recebia antes para garantir o sustento. E há aqueles que desistem e partem para a economia informal, o que também não é fácil porque exige conhecimento do ramo que se vai assumir e noções de como gerir o próprio negócio.

O número de pontos de loja para alugar é imenso, tanto nas cidades grandes quanto nas menores.

Nunca vi nada igual. Há comerciantes que fazem malabarismos, enxugam os gastos como podem, mas há aqueles que, presos a empréstimos bancários e a juros gigantescos, não têm outra saída a não ser demitir os funcionários e fechar o seu negócio.

Ainda vivemos uma crise que não aponta para o fim a curto prazo.

Em todo o ano de 2017, crescimento baixo ou nenhum mais inflação resistente desenham o quadro que teremos de enfrentar antes de uma recuperação que deverá vir só a partir de 2018, o que ainda não é certo.

Em tempos tão recessivos, as famílias vêm se adaptando à crise consumindo menos alimentos, viajando menos, saindo menos para almoçar ou jantar fora, apertando os cintos até que não haja mais espaço para apertar.

O problema é que acabam tendo que economizar até em medicamentos de uso contínuo, que muitas vezes não são encontrados nos postos de distribuição, com grave ameaça à saúde.

Mesmo quando entram com processo, a demora para conseguir os medicamentos costuma ser grande.


Jaime Leitão

é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação


 
 
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