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Amizade e amor — conflitos
Plinio Montagner
07/02/2017 11h14
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Quem mantém uma amizade de muitos anos e, de repente, percebe que o sentimento pende para o amor, é preciso cautela.

Uma revelação desse porte pode desmoronar a relação existente caso não haja sinais de reciprocidade da outra parte.

Ante a incerteza de o novo afeto ser correspondido, a prudência ensina que esse novo sentimento deve ser contido, pois a amizade, que é uma bênção, não fique esmorecida.

Mas será essa é a melhor estratégia?

Afinal, a amizade faz parte da relação amorosa, como ensinava o psiquiatra Flavio Gikovate.

Mas os apaixonados afirmam que o sentimento que move o homem é o amor. Estão certos, mas é a amizade, se estiver presente na relação, que preserva esse amor, é ela que o alimenta, que lhe dá colorido.

O amor sozinho é frágil. Na verdade, entre os casais o que vale é o modo de se relacionar com o outro.

A amizade é uma estrada fácil de ser percorrida, ao contrário do caminho do amor, que tem tantos obstáculos.

Pode nascer a partir de uma conversa despretensiosa, sem motivo, em qualquer lugar, numa fila de ônibus, num banco, numa padaria, numa viagem.

Existem ainda as amizades virtuais e os laços fortes de apegos entre crianças e idosos, pais e filhos, irmãos etc. E o amor... quem o procura não encontra, quem o ignora, acontece.

Depois, o difícil é mantê-lo. Uma relação formada de amor e amizade não é normal.

Relações assim ficam capengas, desequilibradas, sofridas, perturbadoras, sufocantes.

Mesmo se similares, podem causar humilhação e desinteresse da parte que não ama.

O que é coerente e adequado, e mesmo assim pode não dar certo, é uma relação formada de amor e amor e de amizade com amizade.

Essas relações são do tipo para sempre, duradouras, sejam no namoro, sejam no casamento ou em outro tipo de união. Mas quando se trata de laços de sentimentos de afeições, estes devem ter nomes iguais.

Afinidades amorosas desprovidas de elos anteriores são mais recorrentes para darem certo do que entre as relações preexistentes.

De qualquer modo, é preciso ouvir o coração do outro, sentir, perceber as dicas do outro na busca de indícios de reciprocidade.

Amigos passam anos e anos sem se ver e quando se encontram é como se estivessem juntos no dia anterior.

Amigos não fazem juramentos entre si, não têm de compromissos firmados nem prometidos.

No amor os amantes têm o direito de desejar reciprocidade pelas responsabilidades assumidas nos juramentos perante as famílias, a igreja e a sociedade. Nas amizades ninguém jura coisa alguma; e dá certo.

Amizade é sentimento mais duradouro do que o amor porque é desprovido de obrigações, de direitos adquiridos, de atenções e mimos obrigatórios, o que tornaria a relação amigável aborrecível, como às vezes acontece no amor.

Amigos questionam, e brigam, mas não se separam.


Plinio Montagner

 
 
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