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Carnaval
José Faganello
28/02/2017 18h28
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“A lei é poderosa; mais poderosa, porém, é a necessidade”. (Goethe) Mais um Carnaval que se vai.

Entretanto, para os mais velhos, no fundo de suas memórias, com esgarçadas lembranças, surgem a festa das marchinhas e a alegria dos memoráveis bailes, dos desfiles (corsos), da abundância de serpentina, confetes e lança-perfumes.

A realidade que temos hoje é bem diferente. Bailes com poucos adultos e com muitos jovens; carentes de boa música, de boa bebida e das fantasias cheias de imaginação. Não há mais o ardor momesco para reprisar os antigos festejos populares, esplendorosos, como, aliás, acontece também com nossas atuais desanimadas celebrações cívicas, em nossas datas históricas da vida nacional.

A população aumentou e o poder aquisitivo também, mas os clubes não conseguem mais repetir o brilhantismo dos bailes de outrora. Os desfiles das antigas escuderias que atraíam a contemplação fervorosa, ovações e a permanência da platéia até o final, não mais se repetem e nem são, sequer de longe, igualados.

Onde estão os fanáticos de Momo e a grande participação popular, na qual se viam misturados foliões de todas as categorias sociais? Por falar em participação popular no Carnaval, a banda da Sapucaia tenta não deixar morrer o desfile informal, inaugurado pela irreverente banda do Bule, que abria a folia e colocava em polvorosa por onde passava.

A última demonstração da Sapucaia, no entanto, deixou dúvidas.

A renúncia da população aos folguedos carnavalescos é evidente, assim como é patente o desânimo, não apenas nas ruas, como nos clubes. Será que os amantes das pândegas carnavalescas tornaram-se espécimes em extinção?

O Carnaval, que sempre foi a mais democrática das festas, pois, bastava se enrolar numa toalha ou o folião colocar o vestido da irmã ou da mãe e sair requebrando por aí, empolgava por seu clima carnavalesco, clima esse, que era traduzido até em disputas de futebol, com os jogadores vestidos de mulher.

Os bailes nos clubes eram concorridíssimos, predominando belas fantasias, na esperança de serem premiadas na última noite. Havia prêmios para o mais animado, para a fantasia mais bonita, para mais original e para os blocos, sempre com vários a se destacarem. O Rei Momo tinha que se desdobrar para percorrer todos os clubes; atualmente, quantos clubes promovem bailes? Quantos fecharam? Sempre foram muitos aqueles que condenam o Carnaval.

Para esses é inadmissível tanta esbórnia, paralisação do trabalho e a imperdoável dissipação de tempo, dinheiro e energia, enfim,para muitos são festejos pagãos, deletérios para o indivíduo e para a Nação. 

O esvaziamento do Carnaval, na maioria das nossas cidades, não é suficiente para acalmá-los.

Continuam detestando o Carnaval, pois consideram um hiato imperdoável na produtividade industrial e comercial.

Um desperdício de forças e de tempo. Reclamam que o ano no Brasil não começa em primeiro de janeiro, mas na quarta-feira de cinzas (com exceção da Bahia).

Eles se esquecem de que o povo necessita de uma válvula de escape e que em todos os tempos as autoridades foram obrigadas a permitir e até mesmo incentivar grandes comemorações coletivas, como necessárias purificações e desabafos.

É, portanto, preocupante que o espírito carnavalesco haja arrefecido e que apenas em algumas cidades, como o Rio de Janeiro, Salvador, Recife e São Paulo aconteçam grandes manifestações e deslumbrantes espetáculos públicos, até o momento, inigualáveis. Eles, porém estão deixando cada vez mais de fora a participação da grande massa popular, tornam- se cada vez mais elitistas. Apenas quem consegue dinheiro para a fantasia participa.

Até para acompanhar os trios elétricos é preciso comprar o abadá e ficar espremido entre as cordas limitantes.

Como bem disse Goethe, a necessidade é muito mais forte do que a lei. Estão entupindo a válvula de escape que as festas carnavalescas proporcionam. Há sério perigo de uma grande explosão.

Os atos cotidianos de violência apontam, inequivocamente, para este desfecho, principalmente neste cenário de rapinagem oficial, que deixam os demais crimes apequenados.


José Faganello

é professor


 
 
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