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Escolha suspeita
Jaime Leitão
08/02/2017 10h30
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Nada mais descabido do que a escolha do ex-ministro da Justiça Alexandre de Moraes para a vaga no Supremo deixada por Teori Zavascki, com a sua trágica morte em acidente aéreo.

O novo ministro deverá atuar como revisor da Lava-Jato no STF, e esse fato gera suspeição por haver vários ministros e outros membros do governo citados em delações.

Por mais imparcial que ele se mostre, os holofotes estarão o tempo todo voltados para ele.

E Moraes adora os holofotes, não é discreto como Zavascki ou Fachin.

Ministros do Supremo deveriam primar pela discrição, não pela exposição máxima, muitas vezes geradora de polêmicas que só atrapalham o curso dos acontecimentos.

Em um primeiro momento, o presidente Temer foi prudente ao não escolher Alexandre de Moraes para o STF, já entrando na condição de relator das delações da Odebrecht, mas alguns dias depois, o ex-ministro é nomeado, gerando muitas críticas, o que não é de se estranhar.

Com grande força no Congresso, principalmente com à reeleição de Rodrigo Maia para a presidência da Câmara, Temer se sentiu mais à vontade para nomear Alexandre Moraes para o STF.

Maia só se reelegeu porque foi modificado o regimento da Câmara que proibia reeleição.

Decisão essa respeitada pelo STF para evitar interferência em outro Poder.

O próprio Rodrigo Maia ressaltou, após a sua folgada vitória, que irá exigir independência entre os Poderes, devendo acelerar o Projeto de Abuso de Autoridade. Mais uma vez a Lava-Jato corre perigo.

A opinião pública foi ignorada e qualquer novo descuido levará a maior Força-Tarefa de todos os tempos a perder a sua capacidade de lavar o país de toda essa sujeira que nos assola.

O uso político do STF para o Executivo nomear quem o agrada e pode favorecê-lo em decisões importantes não é de hoje, mas nesse momento tão peculiar da vida nacional, nomear para o Supremo um ministro de um governo bastante enrolado nas investigações da Lava-Jato soa muito estranho.

Haverá embates pela frente. Só falta nomear Renan Calheiros para o Ministério da Justiça.

Tudo pode acontecer.

A popularidade de Temer é hoje menos importante para ele do que reforçar a sua base, que está se mostrando bem fiel, jogando o jogo que interessa a todos eles.

Nada muda quando é para o bem de todos. Tudo continua como antes, voltado para o bem de alguns. Foi assim com FHC, com Lula, com Dilma, agora com Temer. Muda a roupagem, a embalagem, mas quem está dentro delas são os mesmos.

Alguém duvida?

ESPÍRITO SANTO - A violência no Espírito Santo, nos últimos dias, desencadeada pela greve da Polícia Militar, com dezenas de mortes e saques em lojas e supermercados, pela falta de policiamento nas ruas, representa a falência do Estado e a incapacidade do mesmo de negociar com servidores que agora partiram para uma radicalização que poderá se expandir perigosamente por outros Estados. Situação periclitante.


Jaime Leitão

é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação


 
 
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