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O que me faz pensar
David Chagas
06/02/2017 10h50
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O dito é de Santo Agostinho.

Dele veio a sentença que me obriga a revelar o que penso sobre tanta reza, tanta oração, tanta missa, tanto culto em meio a sentimentos dissimulados.

Falar com Deus é coisa séria. Diz o poeta: é preciso calar a voz! “Deus que te criou sem ti, não te salvará sem ti”.

Pensar nisso me provoca desde quando, em aulas de filosofia, conheci o pensador, o escritor, o sacerdote.

Obriga-me a refletir, a aproveitar o lido.

Ir além da leitura, valendome do que obra e autor me oferecem.

Foi assim que guardei para sempre a lição deixada por Santo Agostinho, pensador responsável, no seu tempo, por dar à Filosofia e à Teologia, abordagem nova, sugerindo analisar a própria alma para traçar o caminho que conduz a Deus.

Tenho, comigo, que a graça da vida se origina nEle.

Para provar, humanizou-se, fazendo- se igual, com iguais sentimentos, iguais vontades, tantos sofrimentos.

Veio para revelar que era, em si, como somos, trazendo consigo a verdade, sopro verdadeiro do Espírito de Amor, fonte da vida. Antes de voltar ao Pai se revelou o pão da vida, a luz do mundo, não sem cumprir, como todos cumprimos, o roteiro de Deus, na terra.

Veio com o traçado da alma estabelecido. Em diferentes ocasiões revelou-se o príncipe da paz, no menino que foi, no adulto que fez, nas transformações que operou.

Cumpriu a profecia apresentada antes, muito antes, por Isaías.

Ninguém mais, além dele, demonstrou, com evidente clareza, todas as verdades de Deus. Fica difícil hoje falar disso, pensando no que vemos, somos e fazemos.

A imensidão, o imensurável, o universo sem limites, onde tudo está harmoniosamente organizado, face visível de Deus, sinal concreto da sua onipotência não faz eco no coração do homem.

A Terra, nossa referência, fez dos seus, seres capazes de destruírem-se uns aos outros desrespeitando o elo de ligação estabelecido.

Se bem aprendi com Santo Agostinho nas suas Confissões, de nada valeria perguntar quem é Deus ou onde está.

Bom seria caminhar com Ele, vivendo a natureza, sentindo o remanso das águas de um rio qualquer, aquele mesmo que corre e escorre pela sua aldeia, o canto dos pássaros, o menor dentre todos os seres de onde você vive, com as mãos estendidas.

Se Deus é o ponto de partida, por que tanta violência, tanta mesquinhez, tanta angústia?

Ou não lhe pesa na vida o tempo em que vivemos? Muitos — e já tive esta fase — se afastam do que sugere Deus. Não enxerga o outro, talvez porque observe a distância que se estabelece entre o que dita a palavra e a prática, a lacuna criada entre um e outro, sem entender que tudo isso amplia o afastar-se de Deus.

Nunca, no entanto, as saudações e as despedidas fizeram tanto uso das bendições divinas, entre aqueles, sobretudo, que estabelecem diferenças, maltratam semelhantes, matam e matam-se fugindo de dentro do coração de Deus.

Quando penso assim, a multidão me atormenta. Preciso, então, fugir da luz para encontrar a paz, folgar os nós, esquecer a data, aceitar a dor, comer o pão que o diabo amassou.

Bergoglio, genial pensador moderno, feito pontífice da Igreja Católica há três anos, singelo, objetivo e sem papas na língua, condena a fé mentirosa, aquela que faz visitas semanais às igrejas para assistir a cultos, pouco entendendo do que ali se recita ou fala.

A sociedade contemporânea, diz o Papa, encena com primor esta farsa, vivendo comportamento falso.

Com isso, o Papa proclama o que Jesus ensinou: um mundo solidário, mãos estendidas, coração aberto para o outro.

É desta alegria construída pelo amor que surge luz no sendeiro traçado pela alma desenhando o caminho para Deus.

Diante da injustiça e do erro, disso que se alimenta meu pensamento, na busca de resposta a tantas perguntas que me permitam entender a verdade absoluta que, espero, possa um dia encontrar.


David Chagas

É jornalista e professor.


 
 
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