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A carne é fraca
Rubens Vitti Jr.
18/03/2017 15h45
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Ilustração: Maria Luziano

Muita gente caiu para trás ao ler as manchetes de ontem. A Polícia Federal divulgou um esquema que liberava licenças e fiscalização irregular a frigoríficos, atingindo as principais redes da indústria da carne. Foram descobertas táticas bizarras de manipular o vencimento de carnes como o uso de ácidos cancerígenos e partes proibidas por lei de serem inseridas em embutidos como a cabeça do porco. Além disso, o armazenamento em temperatura inadequada foi encontrado com carnes putrefatas e com bactérias (leia mais nesta edição do JP). Um mal -estar federal assolou o país e um nojo generalizado tomou conta dos i nt e r nau - tas que espalharam seus comentários on-line.

Fui vegetariano por dez anos. Naquela época, eu sempre dizia que não era contra comer carne, mas contra a indústria cruel (como também acontece também com vegetais e todo e qualquer produto industrializado, mas com outras problemáticas). No meu pensamento, tudo bem a vaquinha pastar uns anos e depois parar na panela ou a galinha ciscar a vida toda e virar almoço. Mesmo assim eu era muito “zoado” pela minha escolha. Muita gente achava que não comer ou reduzir o consumo de carne era frescura. Ou que eu estava assass i n a n d o “alfaces indefesos que são arrancados pelas raízes”. “Mas você não come mistura?”. Uma bobagem atrás da outra.

Desde aquela época o povo era polarizado, mas não me tornei um “ovo-lacto-vegetariano” sem antes ir atrás de fontes sobre o assunto. Na minha busca, encontrei o filme A Carne é Fraca, documentário brasileiro produzido em 2005 pelo Instituto Nina Rosa. A produção provoca uma reflexão sobre as consequências do consumo da carne (nas pessoas e também no meio-ambiente). O outro, Terráqueos, lançado no mesmo ano nos Estados Unidos e narrado pelo ator e ativista dos direitos animais Joaquin Phoenix, mostra como funcionam as fazendas industriais e relata a dependência da humanidade sobre os animais. Em ambos é possível ver claramente que existem denúncias, não só de maus tratos contra os bichos (que cientificamente está comprovado que afeta a saúde da carne consumida), mas também toda a falta de fiscalização no que se é produzido, vendido e consumido. Os dois estão disponíveis gratuitamente no YouTube.

Outro mistura ficção e documentário para contar a história do executivo de uma grande cadeia de restaurantes fast food que foi indicado para investigar a razão pela qual havia elevados índices de coliformes fecais na carne dos hambúrgueres fornecidos à sua empresa. Fast Food Nation (2006) mostra três pilares que sustentam essa grande indústria: as pessoas que abatem e fazem a carne de hambúrguer, as pessoas que vendem o hambúrguer nas grandes empresas e os empresários. É aí entram ainda temas também pesados como trabalho análogo.

É fato! Os animais se transformaram em produto pelos olhos gordos do agronegócio. A informação rodava por aí há muito tempo, mas no país do churrasco poucos prestam a atenção. Agora, está aí o resultado para todo mundo que quiser ver! Feliz quem vive no sítio e come o que cuida e planta...


Rubens Vitti Jr.

Editor de cultura


 
 
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