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A jogada da lista fechada
Jaime Leitão
17/03/2017 11h05
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Adotar o sistema de lista fechada já nas próximas eleições legislativas em 2018 faria parte de um jogo de cartas marcadas para favorecer os caciques dos partidos majoritários. Vários deputados e senadores citados na Lista de Janot querem manter o foro privilegiado, contando com a lentidão e uma certa leniência do STF para julgar cada caso, chegando às eleições com os direitos políticos preservados.
 
A lista fechada, que é adotada em vários países de regime parlamentarista, aqui seria implantada para salvar políticos (deputados federais, deputados estaduais, senadores e vereadores) enrolados em processos e denúncias, não para fazer uma reforma política que atenda aos interesses da democracia.
 
Na lista fechada, o eleitor não escolhe o candidato, mas o partido. Funciona assim: meses antes das eleições os partidos fazem reuniões para definir os candidatos de cada partido e as alianças que ocorrerão.
 
O problema é que nessa lista aparecerão candidatos em uma ordem definida pelos partidos e os primeiros da lista terão prioridade para serem eleitos. Os que já possuem cargos e se candidatam à reeleição terão prioridade. Isso significa que a renovação será pequena e os velhos caciques permanecerão no poder, protegidos pelo foro privilegiado, que é uma excrescência que precisa acabar definitivamente.
 
Em um regime presidencialista, com mais de 35 partidos, podendo chegar a 40, não tem sentido partir para essa lista fechada que tem como objetivo claro favorecer quem já está investido de cargo e não quer deixá-lo de jeito nenhum.
 
Trata-se de um jogo de cartas marcadas para conduzir o eleitor ao caminho que eles consideram o mais útil para eles. Além dessa manobra absurda, continua a haver uma costura bem discreta na Câmara para anistiar o Caixa 2, com argumentos de que existe o Caixa 2 do bem e o Caixa 2 do mal. Só faltava essa. Maniqueísmo puro. O bem contra o mal. Os do bem são os que têm mais poder e sabem jogar melhor. Os do mal são aqueles que não fazem parte da cúpula, estão, portanto, em um plano inferior na estrutura do poder. Escárnio.
 
Nada de lista fechada, de foro privilegiado, de jogadas espúrias que se chocam com os interesses da sociedade. Os políticos, ao agirem assim, caem cada vez mais na vala comum do descrédito extremo e, com isso, levam a reboque toda a classe política. E a política tem que existir, mas os políticos corruptos precisam ser banidos porque eles são os grandes responsáveis por arrasar o país sem nenhum pudor e decência.
 
Holanda — A extrema-direita, que vem crescendo perigosamente na Europa, sofreu um revés na Holanda, na eleição da última quarta-feira. O Trump holandês, anti-imigração e xenófobo, não conseguiu o seu intento de ser primeiro-ministro. Alívio. No mês que vem, teremos eleição na França, com a extrema-direita também fazendo barulho.

Jaime Leitão

é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação


 
 
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