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A vida não espera
Da Redação
28/03/2017 06h00
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O que tenhamos de fazer, façamos hoje. Vivamos o “agora”, o momento presente, sem desperdiçar um minuto sequer. Precioso é o tempo que nos rege. A vida urge.

É noite. Abro a porta da sala e vou até a rua. Madrugada, hora de ver anjos noturnos vigiando o casario. Nem sempre aparecem. Mas vigio e rezo. Algo vai acontecer. E acontece.

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Ilustração: Maria Luziano

É dia. Ao abrir todas as janelas, sinto a abençoada aragem entrando pela casa. Dia de trocar a roupa de cama. Tirar da máquina de lavar e deixar a alma pendurada no varal.

Um poeta disse que antigamente havia galos, noites e quintais. Pois insisto que haja ainda. Não quero perder uma só destas relíquias sublimes. Ouvir um galo cantar me reporta à infância e às férias passadas no sítio dos tios. Lá morava a doçura do mundo, mas eu não sabia.

Hoje há tanta agitação, tantas urgências. As pessoas mal se ouvem. Agora, pela moderna tecnologia, conversamos teclando, não ouvimos mais a voz do outro. Faz falta aquela fonética troca de afeto. Seja lá como for, junto com nossa ansiedade, o tempo se acomoda no banco de trás do nosso carro e diz: em frente!

Vou sempre pela avenida do sonho, onde posso sonhar com mais largueza, apesar das placas de limite de velocidade entre 40 e 60 km. Nunca ultrapasso, sou tão obediente, acato as leis, mas já recebi duas multas. Bem eu que respeito e amo o trânsito. Andei a 45? Tenho vontade de não pagar, senhores.

A vida não espera. Então, li num cartaz assim: “Ame agora. Demonstre agora. Fale agora. Abrace agora. Responda agora. A vida é um sopro”. Sim, por que entalar na garganta aquela declaração de amor? Talvez saiamos machucados mortalmente. Mesmo que o outro não corresponda. Paciência. Pelo menos não vamos morrer nos roendo por dentro. Por que não desenterrar do fundo do coração aquele segredo, partilhando- o com alguém de nossa confiança e que nos fará respirar melhor? Por que não pedir o perdão necessário? Eu sei reconhecer quando erro e sei pedir perdão. Também sei perdoar, graças a Deus. Não espere para se reconciliar com alguém da sua família, ou para falar junto ao caixão. Estenda a mão, demonstre amizade, respeito, consideração. Por mínimo que seja o gesto irá facilitar todo o resto.

A vida não espera. Nós temos de correr atrás dela feito uns loucos, porque a Terra continuará girando em torno do Sol. Até quando? Não sei. Quanto mais leio, estudo e pesquiso, mais sou obrigada a admitir minha ignorância. E a vastidão do universo me deslumbra sempre que penetro nestes mistérios.

Então, ó Deus, se posso partir amanhã, me perdoe a ousadia. Não devemos nos calar, mas declarar nosso sentimento, nosso amor. Amo você.


Da redação

 
 
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