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Ano novo, velhas questões
Marly Therezinha Germano Perecin
18/02/2017 15h11
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Grandes projetos no Legislativo, será mesmo?

Após 500 anos de existência formal, ainda não deu ao Brasil sacudir o ranço do efeito colônia que gerou um sistema viciado e criminoso de controle de poder por parte dos segmentos envolvidos na politicagem.

Raras vezes se fez Política. O que se assistiu na linha do tempo, da Colônia ao Império, deste à República, foi o desfilar dos Capitães, Barões, Coronéis e Filhotes de Dragão, os caciques, governando em benefício próprio, favorecendo os seus apaniguados, alimentando as suas clientelas e intra-partidários, assegurando expropriações, vergonhosas negociatas e contas secretas em offshores e paraísos fiscais.

É contrassenso no agir dos políticos beneficiar o povo, parecendolhes verdadeiro que este não pensa e portanto não tem escolha. Na Revolução Pernambucana de 1817, o argumento do advogado de defesa dos revolucionários da plebe era “como o povo não pensa, não deve ser culpado”.

Se o atributo da inteligência deliberante não cabe aos segmentos inferiores, por anencefalia, a sua impunidade natural lhe garante a inocência presumida, bem como a ausência de significado e participação.

De sofismas em sofismas, chegou-se à falaciosa cidadania, à farsa dos agentes políticos de Brasília, à blindagem cínica do Executivo aos diversificados pesos da balança da Justiça para a mesma medida e a um sistema que subverteu a lógica da Carta Magna, corrompeu os valores democráticos e traiu os fundamentos da Nação. E agora? O paulista sem medo, Dr. Modesto Carvalhosa, propõe uma nova Constituição elaborada por agentes não corporativos das representações políticas da sociedade, suficiente para a assepsia do ranço colonial e da venalidade dos que chegaram ao poder pela facilitação da própria democracia. Será chegada a hora da necessária reforma do famigerado sistema político brasileiro?

Liberada por quem, senão os mesmos corruptos representantes do povo, Jucás e Calheiros? Desde que o ministro Joaquim Barbosa do STF denunciou o mensalão como uma prática criminosa daqueles que se assenhorearam do poder, revelando a imoralidade do clima dominante no governo, a podridão foi incontida e extravasou pelos poros da Nação.

A Operação Lava Jato trouxe à tona os escândalos do petrolão, a ação compartilhada dos corruptos de dentro e de fora do governo, a revelação sobre as compras e vendas no Legislativo e Executivo de leis beneficiadoras de projetos particulares de empresários e que a Odebrecht tinha poder de decisão nos destinos do País.

Foi assim que a corrupção exorbitou os limites da tolerância do “povo pensante” para a inconformação dos figurões que ainda pensavam em mantê-lo ausente, como nos velhos tempos.

A princípio ignorou-se a voz das ruas, até que começou a derrubada, em efeito cascata, no governo anterior; é verdade que ainda falta muita gente, que os ex-presidentes têm contas fabulosas para acertar com a Nação e que as delações estão incompletas. O Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, breve terá esgotado o seu mandato e até hoje não conseguiu neutralizar a famosa trindade Sarney, Jucá e Calheiros.

O próximo será triado no Senado e terá finalidade exclusiva de blindá-lo em definitivo, assim como se fez neste último recesso parlamentar, Maia na Câmara Federal, Eunício Oliveira no Senado, Calheiros na liderança do PMDB, Édson Lobão na Comissão de Constituição e Justiça, Alexandre Moraes no STF e Moreira Franco em recém-criado ministério. Beleza, para quem tem a cabeça a risco! Nos últimos dias aconteceram coisas de fazer pasmar ao Conselheiro Acácio.

Um experiente ministro do STF demorou duas semanas e escreveu 25 laudas para justificar o injustificável, assegurando a manutenção de mais um corrupto no ministério do Presidente Temer.

Este, por sua vez, protagonizou perante a TV a encenação da “austeridade” afirmando, sem pestanejar, que demitirá todo aquele que se tornar réu da Lava Jato.

Entretanto, deixou no ar a resposta que o povo deseja saber: o que fará quando chegar a sua vez? Mas, a pérola da semana foi o projeto de lei do cínico senador Jucá, pedindo imunidade aos presidentes do Senado e da Câmara em seus crimes pregressos.


Marly Therezinha Germano Perecin

é historiadora.


 
 
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