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Caixa 2 reinante
Jaime Leitão
15/03/2017 11h55
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O empresário Emílio Odebrecht, pai de Marcelo Odebrecht, afirmou anteontem no seu depoimento ao juiz Sérgio Moro que a prática de Caixa 2 ‘sempre foi reinante no país’. E que faz parte de uma cultura que vigora aqui há muito tempo. E frisou que tanto o seu pai, Norberto, fundador da empresa, quanto ele e o seu filho Marcelo fizeram repasses ilegais para políticos, que isso sempre ocorreu. Ele não disse nenhuma mentira e revelou pela primeira algo que já pairava no ar, sem que fosse colocado dessa forma tão direta. Acontece que o Caixa 2, por ser ilegal e perenizar uma relação espúria entre empreiteiras e governos, não pode ser tolerado. A presidente do Supremo Cármen Lucia afirmou recentemente que o Caixa 2 é inaceitável e precisa ser combatido com firmeza. Alguns políticos disseram que há Caixa 2 e Caixa 2, querendo insinuar que nem todo Caixa 2 é criminoso. Tese essa referendada pelo ministro do Supremo Gilmar Mendes. Cármen Lúcia e o ministro Barroso discordam. Eu também.

Nos últimos dias na Câmara está sendo urdido um movimento silencioso para anistiar o Caixa 2, e, com isso, livrar a pele de inúmeros deputados que provavelmente aparecerão na Lista de Janot, que está para ser divulgada. Se isso acontecer, a Operação Lava Jato sofrerá um abalo inaceitável.

Tentar banalizar o Caixa 2, inserindo-o em uma maneira de fazer política que faz parte da nossa cultura, parece ser uma maneira sórdida de isentar os políticos de outras ações ainda mais graves. Não é a primeira vez que os deputados ensaiam votar a anistia, sem sucesso, por causa da pressão que sofreram, mas eles não desistem, vão para o tudo ou nada.

Como explicar que a Odebrecht tenha mantido por tanto tempo um departamento voltado para o pagamento de propina? Esse também é um fato de pouca monta? 

O que está acontecendo é uma tentativa tanto de políticos quanto de empresários para diminuir o tamanho do estrago que fizeram ao País, com consequências nefastas para a população, não só nos últimos anos, mas nas últimas décadas.

Quando se escancara um fato como esse, de prática de Caixa 2 em uma empresa do porte e da importância da Odebrecht, fica claro que as relações entre Poder Público e iniciativa privada sempre se deram à margem das regras que devem nortear negócios que envolvem muitos milhões e até bilhões de reais.

Se o Caixa 2 reinava, não pode reinar mais. Nenhuma forma de corrupção e de desvio de conta por parte de políticos e empresários deve ser tratada como um fato corriqueiro, cultural, normal. Não tem nada de normal, muito pelo contrário. Constitui- se em uma violação grave que prejudica a nação como um todo, deixando sequelas terríveis por muito tempo, como desemprego, falência de empresas, falência de órgãos do Estado e outros males não menores.


Jaime Leitão

é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação


 
 
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