,
Clique e
assine o JP
Televendas: 3428-4190
Classificados: 3428-4140
Comercial: 3428-4150
Redação: 3428-4170
Últimas notícias:
  • Uniodonto leva unidade móvel a shopping
  • Roubo de carro termina em capotamento
  • Prefeitura vai pagar R$ 1 mi por mortes em enchente

Consultório sentimental
Marisa Bueloni
21/03/2017 13h48
  |      
ENVIAR     IMPRIMIR     COMENTE              
 

Vou abrir um consultório. Sentimental. E virtual.

Passarei a dar conselhos sobre questões diversas, sobretudo às do coração.

Tipo você me escreve, conta-me seu problema e eu respondo. Não cobro nada. E você se desabafa, lava a sua alma. A esta altura da corrida, com a autoridade que os anos nos conferem, julgo ter aprendido algumas coisas essenciais.

Talvez possa ajudar as pessoas. Eis aí um sentido para a vida? Tenho residência fixa, sou religiosa, fui casada por 36 anos e hoje sou viúva. Simples como as pombas e prudente como as serpentes. E não sou boba nem nada. Meus créditos nos textos atestam que sou formada em Pedagogia e Orientação Educacional. Educacional, não sexual.

Mas pode perguntar sobre sexo também. Contudo, na argúcia exigida pelos tempos de hoje, você já deve ter as informações necessárias e já leu todos os livros que eu li. Mas, que palavras mandar para a mulher casada que se apaixonou por outro homem? Acontece nas melhores famílias. E nos mais sólidos corações.

“E o outro, meu anjo, como ele é?”. Vem a resposta, entrecortada por reticências: “É casado também...”. Sinto a terra tremer. “E ele está apaixonado por você?”. Ela acha que sim... Conheci um pedreiro cheio de sabedoria, com teorias incríveis acerca do casamento e suas variantes. Uma pessoa casada que se apaixona por outra corre o risco de sofrer uma morte natural súbita.

De tanto pensar no outro. Morre de ficar pensando. E ninguém sabe do que morreu. Só você, Chico! Há casos em que um dos cônjuges se apaixona por outra pessoa, mas não deseja a separação, não cria nenhum conflito no casamento, se mantém fiel, quietinho, guardando em segredo a paixão proibida. Por décadas a fio.

Com o coração estraçalhado, mas sobrevive. É uma luta contra a própria alma, contudo é uma escolha pessoal de vida e isso tem o seu valor, a sua glória particular, a beleza de sofrer em silêncio.

“Não posso me separar, eu amo os meus filhos e a minha família”. Tem todo o meu respeito e minha mais profunda admiração. Bom, na mesma velocidade com que abri o consultório sentimental, eu o fecho. Baixei as portas virtuais, bem no final desta crônica. Foi apenas uma proposta, a pretexto de um texto. Mas, as portas reais continuam abertas aos que buscarem em mim uma palavra de conforto, de consolo e de esperança. Consegui ajudar algumas pessoas, mesmo via e-mail, e a gratificação é intraduzível. Vejo que, humildemente, alcancei o sonho dos telejornais e dos “âncoras”: passar credibilidade.

É nóis, Boris Casoy. Credibilidade, confiança e respeito. Mas, sobretudo, a postura equilibrada e amorosa de quem entende que com a vida não se brinca.


Marisa Bueloni

É formada em pedagogia e orientação educacional e é membro da Academia Piracicabana de Letras.


 
 
Voltar

Comentários

Nome:
E-mail:
Comentário:
 

  • Seja o primeiro a comentar