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Consumo consciente
André de Paiva Salum
15/03/2017 11h50
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Ilustração: Maria Luziano

Os direitos dos consumidores têm se tornado cada vez mais conhecidos e reivindicados pela população, revelando inegável avanço das relações comerciais e da cidadania. Entretanto, parece que se dá excessiva atenção às pessoas enquanto portadoras de poder aquisitivo, ou seja, aquelas que adquirem os produtos produzidos pela indústria e que atendem aos interesses do mercado. Costuma-se esquecer, ou ao menos omitir, as outras dimensões do ser humano, que lhe permitam exercer a cidadania de modo mais abrangente e pleno, não se restringindo apenas ao papel de consumidor. Mesmo no que diz respeito ao consumo, é importante que o mesmo esteja a serviço do ser humano, e não este refém de interesses econômicos. Quando se escolhe comprar determinado produto, será que realmente se está escolhendo, ou será isso a consequência de propagandas incessantes que nos bombardeiam pelos meios de comunicação? E podemos refletir quanto ao que compramos, se o fazemos por necessidade real, ou por induções, sutis ou ostensivas, as quais criam falsas necessidades a fim de alimentar um modo de vida que nos parece excessivamente consumista, imediatista e descartável, o que traz consequências negativas aos seres humanos, bem como a degradação da natureza e do ambiente como um todo.

Quantas vezes se adquirem produtos e serviços movidos pela propaganda sistemática exibida diariamente, por impulsividade e até mesmo para compensar frustrações, carências e vazios existenciais? Certamente é importante refletirmos sobre até que ponto nossa liberdade vem sendo tolhida, ao adquirirmos coisas que não nos são realmente necessárias, ao sermos induzidos a adotar determinados hábitos de consumo, assim como ao seguirmos modismos somente para nos sentirmos socialmente ajustados.

Ao tomarmos consciência do quanto estamos sujeitos a influências externas nas decisões diárias quanto ao que consumimos, aprimoramos o senso crítico, tão necessário em uma época em que parece não ser dada a devida importância à consciência lúcida com que realizamos os atos, inclusive de consumo.

Somente uma educação de qualidade, que inclua as diversas dimensões do ser humano e da vida, pode proporcionar subsídios para que os jovens, futuros consumidores, tenham suficiente discernimento e autonomia quanto aos bens e serviços que venham a adquirir e usar. Certamente uma pessoa corretamente educada - no sentido holístico da palavra - poderá saber aquilo de que necessita para uma vida com boa qualidade, bem como a forma de cooperar para um convívio saudável e socialmente construtivo. Também saberá quais os critérios a adotar para que a sua existência tenha o menor impacto ambiental possível, colaborando assim para a sustentabilidade da vida na comunidade planetária em que todos vivemos.

Antes de sermos consumidores, somos seres humanos, portadores de discernimento e capacidade de escolha, de decisão, capacidade essa que deve ser estimulada e cultivada mediante um processo educador adequado.

Parece-nos evidente que aqueles que se conhecem em maior profundidade, que respeitam sua singularidade, que ouvem a voz interior e seguem os impulsos mais genuínos da alma, sentem-se suficientemente seguros para não serem iludidos por apelos consumistas, para não se sentirem obrigados a seguir a moda, nem a agradar determinados grupos sociais. Quem descobre a sua natureza essencial passa a se respeitar, deixando de ser refém de convenções sociais e de imposições da mídia, de modismos de qualquer natureza, seguindo os ditames da própria consciência em relação ao que considera correto. Uma conduta dessa natureza é desafiadora, pois rompe com inúmeros convencionalismos, com expectativas externas e condicionamentos pessoais, mas certamente propicia um nível de autorrespeito e de liberdade de valor incalculável.

Consumir com critério e liberdade é ser, além de consumidor, cidadão consciente e responsável pelos próprios atos, bem como perante a sociedade, o ambiente e o planeta que nos serve de moradia.


André de Paiva Salum

É médico homeopata


 
 
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