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Conversa de mulheres
Marly Therezinha Germano Perecin
18/03/2017 07h00
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Ilustração: Maria Luziano

Pouco antes das comemorações do Dia Internacional da Mulher, um magistrado do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, libertou o goleiro Bruno condenado pelo assassinato da mãe do seu próprio filho. As mulheres ficaram de luto porque estamos totalmente envolvidas com a questão da Liberdade, não podia ser diferente. 
 
Sempre que necessário, consulto uma sábia mulher, Hannah Arendt, infelizmente falecida, mas imortalizada pela sabedoria contida em suas obras. Ela ensina que para ser livre é necessário vencer as diversas formas de coação e controle existentes na sociedade, como na religião, na economia, na política, nas tradições e no passado que vivem e se reproduzem em nós e, não bastando, superar o domínio das necessidades. No campo privado, a libertação das necessidades do trabalho, poderá ser vencida parcialmente pelos avanços da ciência e pela tecnologia, mas no campo do domínio público a questão é centrada na interação dos cidadãos, no coletivo, e se corporifica no Estado, portanto na questão fundamental, a Política. Aí existe uma contradição essencial que reside no fato da sujeição ao Poder, ou seja no controle e no domínio das necessidades exercidas sobre o indivíduo. Concluímos que toda teoria de liberdade é sempre uma proposta de dominação, longe da ideal forma de organização política, aquela onde os cidadãos convivem na isonomia dos direitos, na igualdade dos benefícios e na justa pluralidade dos deveres.
 
A maior parte das teorias liberais baseia-se na idéia do Pacto Social, o povo cedendo parte dos seus direitos e vivendo num esquema consentido de dominação; porém resguardando certos direitos, inclusive o de depor o governo infrator do pacto, qual seja, o direito de revolução, tão evocado no século XIX, ao qual sucedeu o direito do impeachment. O povo põe, o povo tira, pressupondo-se um universo eminentemente masculino de decisões porque a mulher só adquiriu cidadania tardiamente, depois dos anos vinte do século passado. No impeachment da sra.Rousseff a opinião das mulheres pesou fortemente, sinal dos tempos.
 
Voltemos à questão feminina. As suas necessidades e expectativas apenas se esboçaram no século XX, ficando para o atual a contestação definitiva dos fatores que pesam sobre a sua dominação para que se estabeleça o necessário equilíbrio entre os gêneros. Eis o nó da questão. Esta foi a fala de outra sábia mulher, a socióloga Fátima Pacheco Jordão em sua palestra na Câmara Municipal de Piracicaba, por ocasião dos eventos programados para o Dia da Mulher. A longa luta que se trava há milênios sobre o entendimento dos gêneros, indispensável ao seu equilíbrio, precisa ser acelerada no interior do processo civilizatório . Os homens não abrem mão do seu poder patriarcal e as vitórias femininas ficam sempre retardadas, exemplo o direito de voto, que no Brasil, efetivamente se realizou em 1934. O atraso cultural, os desastres econômicos, as políticas erradas desfigurantes da educação brasileira, que oferecia boas escolas, como provam as gerações até a reforma Jarbas Passarinho, afastam os avanços. As parcelas jovens que se vêm carentes de escolarização efetiva sucumbem ao atraso cultural, acumulando-se atrasos sobre atrasos que desandam os malefícios sobre a sociedade.
 
Contamos recentemente com uma manifestação a favor da causa feminina. A misoginia infeliz de Trump, desatou uma avalanche de protestos e movimentou mulheres e homens esclarecidos, a marcha de um milhão de pessoas em Washington para a defesa dos direitos da mulheres; estas muito elegantes, sob o inverno do hemisfério norte, com os seus gorros cor de rosa. A cor rosa é símbolo, desde o crime praticado em N.York, em 1910, contra as tecelãs em greve, que morreram vítimas de um incêndio criminoso porque a Revolução Industrial gerou o trabalho proletário das mulheres e aumentou a sua exploração. Embora a colheita das desgraças tenha abrandado em certas culturas, noutras continua perversa e assume formas variadas de exploração. A violência contra a mulher não pode ser apenas questão de polícia ou da Lei Maria da Penha, o equilíbrio desejado entre os gêneros precisa acontecer. Basta aos homens consentir, às mulheres se convencerem e se organizarem. O tempo será o senhor da razão.

Marly Therezinha Germano Perecin

é historiadora.


 
 
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