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Liderança-moralidade 2017
José Faganello
21/02/2017 18h36
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“Em realidade, a história mundial não palmilha o solo em que reside a moralidade” (Jacob Burchardt).

Diante do atual panorama político que, aliás, está dando continuidade aos fatos anteriores e semelhantes aos da história da humanidade, somos obrigados a concluir que os líderes só conseguem usar de seus poderes com o apoio da maioria de seus governados.

Conseguem iludi-la com promessas mirabolantes e não percebem que o egoísmo deles convenceu- a de que são insubstituíveis, para conduzi-la a uma nova era.

Para tanto, é aceito tudo, mesmo o aniquilamento dos opositores.

Exemplos históricos não faltam e a maioria com matanças sanguinárias. Lênin, Stalin, Hitler, Mao-Tse-Tung e muitos outros praticaram seus crimes com o apoio do povo.

Eles todos apresentaram características negativas como: impaciência, sede de vingança, materialismo, autoritarismo, falsidade nas propagandas; no entanto, acenavam ao povo com uma bandeira da grandeza patriótica.

Com o apoio popular e anuência de seus assessores, dos quais se esperava um mínimo de bom senso, levaram seus países à ruína.

Em todos os tempos, o que se viu e se vê é a aceitação de líderes com os liderados dando importância à personalidade deles, ofuscados que estão pelas promessas que esperam sanar seus interesses imediatos e conivências imorais.

Após darem apoio total, mais tarde vão perceber que foram esbulhados.

Valter Benjamin escreveu que os líderes possuem o que se chamou de caráter social: “Uma combinação quase exemplar de todas as angústias, sentimento de contestação e esperança de seu tempo, tudo isso em demasia e desvirtuado, mas sempre protelando com os desejos da maioria”.

Essas tendências e circunstâncias transcendem a pessoa do líder e acabam por triunfar sobre quaisquer objeções que contra elas se levantam. Deixando o passado e lançando nossos olhares ao presente, o que vemos?

O atual Estado Islâmico, que consegue ser pior e mais ameaçador do que o Alcáida.

Os EUA, com certeza, um dos países mais democrático da atualidade, elegendo Donald Trump, que em seu discurso de posse deixou claro que vai fazer o que precisa para seu país se tornar mais poderoso ainda. Mal iniciou seu governo, baixou uma série de medidas hostis como eliminar versões em espanhol de seu Website e de suas contas nas redes sociais, sendo que a comunidade hispânica representa 18% da população em seu país.

Está tentando repetir a Guerra de 1846-1848, que para expandir suas fronteiras, foi invocando o “destino manifesto” a vontade de Deus de eles conquistarem as Américas para civilizá-las.

Foram tomadas do México a Califórnia e o Texas. Porfírio Dias, que governou o México por duas vezes, imortalizou a frase: “Pobre México, tão longe de Deus e tão perto dos EUA”.

Colocou, de uma hora para outra, uma lei proibindo a entrada de imigrantes, vários com visto de entrada, ao chegarem, foram impedidos de entrar.

Os EUA são o que são devido aos imigrantes que vieram de todas as partes, em grandes levas, para povoar a imensidão do país. Quanto à Europa, após séculos de guerras fratricidas entre seus países, conseguiu o milagre de constituir a União Europeia, que agora está sendo ameaçada por grupos que, em nome do patriotismo, querem a separação.

Não estudaram História, pois antes era um nunca acabar de guerras, que obrigaram os sensatos fugirem de lá e irem levar o progresso para outras plagas, como para o nosso Brasil; sou um neto por parte de pai e de mãe desses imigrantes. Infelizmente, nosso Brasil, que nunca foi modelo de governança, no momento, seus governantes e os donos de capitais estão dando um show de imoralidade e incompetência, até de não serem capazes de dominar seus prisioneiros.

A situação é tão grave que, pela extensão dos envolvidos, foi necessário negociar a declaração premiada para poder recuperar parte dos bilhões roubados.

Valter Benjamin, em sua análise, nada mais disse do que nosso ditado popular sintetiza: “cada povo tem o governo que merece”, ou seja, os culpados são os eleitores que compõem a maioria. Eles, os eleitos, refletem como espelhos a sociedade que os elege.


José Faganello

é professor


 
 
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