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Mudanças climáticas e recursos hídricos: o que 2014 deveria ter nos ensinado
Marco Antonio dos Santos e Sergio Razera
22/03/2017 06h04
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Ilustração: Maria Luziano

Diz o ditado que aprendemos com nossos erros. Porém, se observarmos atentamente a história da humanidade, notaremos que tal afirmação não é verdadeira. Muitos de nossos avanços foram conquistados a partir da constatação de uma necessidade - e daí origina-se outro ditado, que afirma que a “necessidade faz as coisas acontecerem”. Porém, analisando a relação entre o homem e o meio ambiente, e, ainda, mais especificamente, a civilização moderna e os recursos hídricos/naturais, notaremos que, há vários séculos, estamos errando no que tange ao uso consciente e sustentável de nossos recursos. 
 
As comemorações do Dia Mundial da Água sempre abrem espaço para reflexões e apresentação de dados, mas o que propomos discutir aqui é a falta de ações práticas em larga escala, as quais colocariam temas como ‘água’, ‘crise hídrica’ e ‘meio ambiente’ entre as pautas prioritárias da humanidade no século 21. 
 
Acompanhamos de perto a estiagem de 2014 e os assustadores resultados causados por ela, sobretudo, no abastecimento de água e, consequentemente, no impacto no cotidiano da população e, também, das indústrias. Se repetida anualmente, tal crise hídrica certamente causaria o colapso nas cidades e empresas de nossas Bacias, abrindo espaço para o caos.
 
Essa crise foi apenas um exemplo do que pode acometer nossa civilização caso não tomemos medidas urgentes - e aprendamos a lição. O tempo encarregou-se de provar que, diferentemente do que se pensava, os recursos naturais não são inesgotáveis. A natureza trabalha em equilíbrio perfeito, e a existência humana é apenas parte desse ecossistema. 
 
A devastação ambiental, já alarmada em diversos eventos internacionais, se expande. Urge que a humanidade aprenda, a partir do esforço individual, mas também do trabalho de organizações sérias e competentes, a reequilibrar sua relação com o meio ambiente e seus recursos. Não há tempo a perder, e os números comprovam isso. Tudo vale a pena - desde pequenas ações, como o uso consciente da água nas residências, até exemplos ‘macro’, como o investimento em tecnologias que permitam o reaproveitamento dos recursos hídricos em larga escala e a despoluição de nossos rios. 
 
No Brasil, há ações bem-sucedidas que ilustram a preocupação em reverter esse alarmante quadro, como, por exemplo, a Ação Eco Cuencas, que envolve nove países e possui um dos projetos-piloto nas Bacias PCJ. Trata-se, aqui, de aprender com o que está dando certo e colocar ações efetivas em prática. 
 
Nesses termos, a Agência das Bacias PCJ, como ‘braço executivo’ dos Comitês PCJ, também vem trabalhando para fazer sua parte, através de financiamento de ações que envolvem, até o momento, investimentos da ordem de mais de R$ 500 milhões em mais de 610 projetos na área de tratamento de esgoto, controle de perdas, reflorestamento, educação ambiental, e outras ações institucionais necessárias ao andamento do sistema integrado de gerenciamento de recursos hídricos. Um dos projetos, inédito no país, é a Estação Avançada de Tratamento de Água, que tem como objetivo converter esgoto doméstico em água potável. 
 
Se, para nossos antepassados, o petróleo e outras fontes de energia foram objetos de desejo e foco para o crescimento econômico industrial, não temos o receio em afirmar que, a partir deste século, será a água o recurso mais valioso - porém, neste caso, não estaremos falando em desenvolvimento, mas, sim, na sobrevivência de nosso planeta. Esta é a reflexão que julgamos mais urgente, entre todas as outras que eventualmente surgirão, em virtude do Dia Mundial da Água. 
 
 
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