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Naufrágio a seco
Marly Therezinha Germano Perecin
04/03/2017 18h44
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Pode acontecer na praia, por erros administrativos, reformas incompletas ou imprevistos que venham a fracassar a racionalidade econômica de Meirelles e estragar o que já foi feito, à custa dos caríssimos votos da base aliada no Congresso.

A conta dos sucessos ou fracassos, pagaremos nós.

É bom saber que a Petrobras e a Eletrobras começam a entrar nos eixos, que haverá safra recorde de grãos e, se tudo correr bem, o PIB poderá crescer 0,5%, porém, milagres não ocorrem a curto prazo e continuaremos sob a forte recessão, iniciada em 2014.

Não é tudo. As baboseiras inacreditáveis continuam estrugindo no ar; as últimas vêm por conta da magistratura.

O ministro Gilmar Mendes, morrendo de pena dos condenados à prisão, políticos e empresários, pela Lava Jato, quer que os mesmos tenham as suas penas reduzidas e o STF, por sua vez, deseja que os bandidos sejam indenizados pelo desconforto na prisão. Ora!

Por essas não esperava o Conselheiro Acácio.

Para compensar, o Ministro Relator da Lava Jato, Édson Fachin, atendeu ao pedido do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, e autorizou a abertura de inquérito contra o ex -presidente José Sarney e os senadores Renan Calheiros e Romero Jucá por motivo de embaraçarem investigações com intento de estancar a Lava a Jato. Esperemos os resultados com serenidade, talvez, uns dez a doze anos...

Os membros do Poder Legislativo têm motivos de sobra contra a Lava Jato, por lhes causar desastrosa ingerência nos seus interesses.

Sempre se soube ser ilegal o Caixa 2, mas se praticou, sem nenhum incômodo, porque o oferecimento de muito dinheiro da parte das empresas para as campanhas eleitorais, até 2014, era uma garantia de sucesso. Pouco importava a acusação de captação do poder por parte de pessoas jurídicas sobre o Legislativo; essa captação é fato verdadeiro, criminoso, impatriótico, gerou leis fora do interesse do povo, mas beneficiou particulares.

A criminalização desta prática pela Lava Jato levou a sua proibição, enquanto os acusados do Caixa 2, já travaram batalha pela sua anistia e não desistem. Agora, acham-se sem fundos para novas campanhas, aterrorizados com a exposição pública e a provável condenação, fazendo de tudo para simular doações legais ao que fora puro trambique. Quando o Presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, foi denunciado por esse crime, desabafou um parlamentar: “— se Maia for condenado por isso, todo mundo também será”. A ameaça de esvaziamento pesa sobre o Legislativo.

Os corruptos sempre contaram com o tempo a seu favor. Foi assim que escolheram para presidir a Comissão de Constituição e Justiça do Senado Édson Lobão, ex-ministro de Minas e Energia da sra. Rousseff, fortemente implicado em desvios milionários nas Usinas de Belo Monte e Angra 3, e propinas na Petrobras.

Ficaram em suas mãos o poder de conduzir a escolha do “ideal” substituto de Janot na Procuradoria Geral da República, a sabatina de Alexandre Moraes, indicado de Temer ao STF e a decisão sobre a tipificação dos crimes de abuso de autoridade, velho anseio de Calheiros, contra a magistratura.

A denúncia da imprensa sobre os membros dessa comissão não deixou dúvidas, dez dos 27 são investigados pela Lava Jato. Ora, pois! Recentemente, Lobão, antes que o seu filho Márcio (o Lobinho) fosse denunciado por outras maroteiras, concedeu uma entrevista de causar estupor. Deu-se a interpretar a Constituição com o intuito de defender o Caixa 2 pelo qual é abertamente favorável. Primeiro: disse que a anistia é um instrumento constitucional, “— qualquer que seja o objeto. Em razão dela o presidente anistia os presos”. Nessa lógica “ —outros crimes podem ser anistiados”. Segundo: defendeu a delação premiada, desde que o delator esteja solto, para ser “espontânea”.

Terceira e última pérola: é necessário passar com urgência a Lei contra o Abuso da Autoridade, porque diariamente chegam denúncias da Lava Jato contra os parlamentares, e “— não se sabe mais para onde vai. Virou um inquérito universal que vai acabar com a democracia”.

Como a imprensa e a opinião pública são favoráveis à Lava Jato, “— estamos destinados ao calvário, à destruição”.

Essas são as lamentações saídas da cabeça do preocupado Lobão, coronel nordestino a serviço da democracia brasileira.


Marly Therezinha Germano Perecin

é historiadora.


 
 
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