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O tempo
Plinio Montagner
21/03/2017 06h00
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Quando Portinari estava em Paris, coberto de saudades, declarou em uma carta: “Daqui fiquei vendo melhor a minha terra - fiquei vendo Brodosqui como ela é”. O tempo permite entender e sentir a existência das coisas, os momentos, lugares, e nossa própria presença. Sobre o tempo, e sobre o amor, o compositor musical Juninho Afran escreveu esta letra: 
 
“O Tempo”. “O vento toca o meu rosto me lembrando de que o tempo vai com ele, levando em suas asas desta vida passageira, minhas certezas, meus conceitos, minhas virtudes, meus defeitos.” 
 
“Nada pode detê-lo. O tempo se vai, mas algo sempre guardarei: O teu amor que um dia encontrei.”
 
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Ilustração: Maria Luziano

“Os meus sonhos o tempo não pode levar. A esperança encontrei no teu olhar e nos meus sonhos, que o tempo não pode levar”.
 
Nada vence o tempo, nenhuma riqueza, ser ou coisa. Então, para que pressa? Só para a vida acabar logo? Por que essa bobagem de pular as melhores fases da vida?
 
Ninguém se salva da continuidade do tempo.
 
Hoje, o meu neto de 7 anos me dizia com carinha séria num momento de ‘infelicidade’: - Vô, eu queria ter a idade do me irmão (15 anos) que não precisa ficar fazendo essa lição chata. A lição era colorir uns recortes de figurinhas de meninos na tela ‘Meninos Brincando’, de Portinari. Era uma tarefa que sua professora passara. 
 
E eu, achando que pintar os desenhos fosse uma lição de artes ou de trabalhos manuais, como antigamente, na hora ele contestou: Não, Vô; não tá vendo? É do livro, aqui, de MATEMÁTICA.
 
Engraçado o tempo, fazer uma criança querer ser mais velha para não ter probleminhas na vida...
 
Dispus-me a ajudar, e ele, firme: - Você não sabe pintar.
 
Por que ninguém valoriza o tempo? Acho que só na velhice a gente aprende. 
 
O tempo é um mistério, ora machuca, ora cuida. Ele é inexorável: aniquila árvores, casas, pedras e animais; arrefece o vigor, o interesse e a vontade de amar, de viajar, de comprar coisas, acalma nossos entusiasmos, e o pior, nossos sentimentos. 
 
Ninguém está imune a ele. Porém possui um ponto fraco - sua própria relatividade. Por exemplo: Quando se está muito feliz, ele voa, e quando se está com dor, e numa cadeira de dentista, um minuto é uma é uma vida, como dizia o personagem vivido pelo ator Al Paccino, no filme Perfume de Mulher. 
 
Mas o tempo é amigo, principalmente nos momentos de angústia e de doenças, coisas que nenhum remédio cura, nem amigos, nem dinheiro, nem distrações; devagarinho ele nos fortalece nos livrando, pelo esquecimento e aceitação, nossas mazelas físicas e sentimentais.
 
É melhor é sorrir e viver do nosso jeito, como somos, e com o que temos.

Plinio Montagner

 
 
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