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Quatro anos de um Papa pop
Marcelo Basso
16/03/2017 13h22
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Embora o meu ateísmo esteja cada dia mais arraigado, não consigo ficar alheio aos pronunciamentos emitidos pelo Papa Francisco, quando divulgados pela imprensa. Por mais reacionária que seja a instituição a qual dirige, suas declarações são sempre oportunas e emitidas sob atentos olhares da Igreja Católica, a qual - tenho eu a impressão - treme com suas palavras, principalmente quando se trata de comentários improvisados, pois é exatamente aí que suas palavras ganham relevância imprescindível.
E é exatamente quando faz comentários improvisados que suas palavras saem com mais força, sempre tocando em assuntos mais ousados para os padrões da igreja e apontar paradigmas católicos, principalmente quando se refere a assuntos como casamento, divórcio, aborto e homossexualismo.
Apesar de dar a impressão de que isso em nada vem interferindo em seus comunicados, sejam eles oficiais ou espontâneos, após completar quatro anos de papado, no último dia 13 de março, não há como negar que sua postura na liderança católica vem sendo marcada por seu posicionamento firme frente aos valores cristãos e pela quebra de tabus e paradigmas.
Em 2013, recém-eleito e ainda sem ter completado seu primeiro ano de papado, veio ao Rio de Janeiro participar da Jornada Mundial da Juventude e foi lá que, verdadeiramente, mostrou a que veio ao fazer um pronunciamento de importância histórica e pedir aos jovens que se rebelem, sejam revolucionários contra aqueles que não acreditam que estejam prontos e capazes de assumir responsabilidades.
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Ilustração: Maria Luziano

Ao longo deste período, o pontífice tem sido responsável por dar aos princípios originais da igreja um sentido mais humano, pregando a humildade e a fraternidade, e, porque não dizer, mais crítico também ao denunciar demagogos e preconceituosos, sugerindo que para a igreja seria melhor que pessoas com essas condutas fossem ateus em vez de católicos hipócritas.
No Dia Internacional da Mulher, ele afirmou que “mulher não existe para lavar louça”. Por sinal, a declaração veio em um momento providencial e oportuno para nós brasileiros, coincidindo com o desastroso discurso do presidente Michel Temer, que serviu apenas para fortalecer ainda mais o machismo reinante em nossa sociedade e intimidar as mulheres.
Mesmo estando à frente de uma instituição muito conservadora, nesses quatro anos, o Papa Francisco não tem se esquivado de tocar em assuntos muito ousados para os padrões do catolicismo, mostrando-se um crítico voraz da ganância do mundo moderno, da corrupção, da usura, do apego à riqueza e à idolatria ao dinheiro. Palavras que ganham força em seus pronunciamentos e nos encorajam a olhar para nossas faltas, por menores que possam parecer.
Dia desses, sua conta oficial na rede social Instagram publicou o vídeo de um grupo de fiéis brasileiros cantando uma música em homenagem a Nossa Senhora Aparecida com a ‘regência’ do Papa, que pedia para que eles cantassem mais alto. No texto do post, o Papa ainda pedia para que os jovens façam bagunça. Publicado em cinco idiomas, ele disse: “Jovens, façam bagunça! Uma bagunça que nos dê um coração livre, solidariedade, esperança”.
Muito diferente da postura com a qual estávamos acostumados, quando havia um grande distanciamento dos papas anteriores, todos sempre a bordo daquele carrinho conhecido como papamóvel em suas aparições públicas, o atual líder da igreja tem se caracterizado em não usar o veículo, ficando mais próximo das pessoas e trazendo mais humanidade para sua figura.
Mesmo que atado ao cargo maior de uma instituição milenar e chefe de Estado do Vaticano, o Papa Francisco consegue manter um estilo despachado e se apresentar moderno ao manter reciprocidade com a realidade do mundo atual. Com sua postura avançada e em franca contradição frente à retrógrada instituição que dirige, o pontífice vem dando demonstrações de que o progresso social necessita ter um pouco mais de liberdade em relação aos conceitos que a igreja prega.
Marcelo Basso é jornalista
 
 
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