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Sedução
José Faganello
21/03/2017 06h00
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Ilustração: Maria Luziano

A natureza nos apresenta uma dicotomia - homem e mulher, que normalmente procuram unir-se, como acontece entre machos e fêmeas, nas demais espécies animais. Entre estas há as mais variadas formas de sedução: trinados, arrulhos, plumagens, danças, demonstrações de força, enfim, poliformes maneiras de encantamentos. Com o ser humano acontece o mesmo. Ele, no entanto, além de ostentar seu porte, quando elegante, ou seu andar cativante, posição social, jóias, carros, roupas, pode, também usar da magia das palavras.
 
Embora a mulher moderna tenha revertido este consenso, cabia ao homem a iniciativa da conquista. Isto considerando-se a iniciativa formal, porque a mulher usava das mais variadas formas para atrair o amado e, a ela, de certa forma, cabia e cabe aceitar ou não quem lhe faz a corte...
 
Por este motivo sobejam relatos, poesias, pinturas, esculturas, músicas com dulcorosas letras lisonjeando-as em grau tão superlativo, que a intenção de conquistar é evidente.
 
Predominam, contudo, nas incontáveis tentativas de sedução do dia a dia, obviedades de constrangedora falta de inspiração como outras de apreciável qualidade; curiosas, inventivas, cativantes, ou seja, capazes de provocarem no alvo o interesse da aproximação.
 
Desde que li o Cântico dos Cânticos, atribuído a Salomão, passei a anotar aquilo que achava interessante neste tema. Porém, não tomei o cuidado de anexar, em muitos casos, o nome dos autores. Não suspeitava que ainda iria usar aquelas anotações. Consola-me a declaração de Paulinho da Viola, explicando como produz suas maravilhas. Afirma lembrar-se que da sua infância para cá, ouviu tanta boa música e conviveu com inigualáveis autores, que ao terminar uma obra, tem a sensação de que aquilo por ele composto não é seu, mas um mosaico tecido imperceptivelmente e de forma inexplicável.
 
As mesmas sensações outros devem sentir. Aqueles textos que parecem próprios, são, na realidade, junções de tudo quanto foi assimilado e permaneceu dormitando até o momento do despertar e desabrochar em uma matéria como inédita, mas, sabendo que nela há um pouco de cada um, onde sorveu, desde a infância, idéias e emoções.
 
Uma leitura feita em minha juventude me convenceu disto, através de um pensamento do qual perdi o nome do autor mas salvei este fragmento: “Areia - Pensa nos milhares de anos que foram precisos para que a chuva, o vento, os rios e os mares fizessem de um rochedo este lençol de areia com o qual tu brincas”...
 
Pensa nos milhões de criaturas que foram necessárias para que - simplesmente - sobre a minha boca teus lábios se aquecessem‘...
 
Vejamos trechos que podem ajudar na arte de seduzir e prosseguir o necessário encadeamento: “Tua cabeleira é o estandarte do meu amor. / Teus lábios são portas de um jardim / Tua língua, um fruto que amadureceu para minha boca / Teus seios saltam para se entregarem / Teus pés transpõem a soleira de minha casa e eu os coloco na minha fronte!”
 
“Perdão! Preciso dizer-te: / Ao passar por ti / Sinto o perfume do meu jardim antes da aurora”.
 
“Vi cair a primeira chuva sobre as primeiras rosas do meu jardim. As rosas se arrepiaram, tremeram entristecidas, mas suas cores se avivaram e seu perfume tornou-se mais delicioso.
 
“Deixa-me derramar as lágrimas de meu amor sobre ti e sentirás o efeito”.
 
Sei que este tipo de galanteio está fora de moda. Usá-lo poderá surpreender ou ao menos aceitá-lo como uma peça rara, única, diferente. Há o risco de ser tido como um antiquado pois, atualmente é comum um simples Topas? Cuja resposta é pra já.

José Faganello

é professor


 
 
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