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Um facho de luz
David Chagas
16/03/2017 13h30
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Ilustração: Maria Luziano

Pude saber dele tão logo ordenou-se. Não sei já seguia as lições de Mário Quintana de quem usou os versos para falar de seu jubileu. Sei, isto sim, que sua pregação tinha histórias de anjos e de santos, e citações as mais variadas de outros tantos que fazem da vida uma tarefa bem feita. 

Como soube dele? Andava pela minha cidade um jovem sacerdote, prodígio entre os universitários recém-instalados, como ele, em Rio Claro. Jamil Nassif Abib é de quem falo. Entusiasta, Jamil provocava reuniões, encontros, conversas e celebrava, com absoluto acolhimento, as missas semanais bastante concorridas. Nos encontros, vez por outra, falava dos companheiros de sacerdócio que, como ele, entregaram à palavra de Deus, a sua vida e, por ela e com ela, lutavam bravamente pela liberdade de expressão, de ação consciente e justa, pela dignidade, pelos direitos humanos tão propalados e pouco cumpridos até por quem se arvora a representante de Deus.
 
Para aqueles anos, muitos olhavam as ações comunitárias de forma enviesada e outros tantos criticavam sua homilia. Fortuna, a nossa, que tínhamos em nossos pais seres pensantes que nos ajudavam, não sem dificuldade, a fazer o percurso pela escuridão estendida sobre o país, indicando a rota da esperança no novo dia.
 
Uma das referências do bom semear era Otto Dana. Só pude mesmo conhecê-lo quando, já em Piracicaba, sabia ser ele o interlocutor que, de forma adequada, lúcida, gritava contra as trevas, saindo em meio ao povo, para semear.
 
Havia, é claro, como convinha, algum retoque político na fala dos sacerdotes alicerçada na palavra de Deus, caminho para a vida em plenitude. Ser cristão, aprendia-se, era conscientizar-se da verdade, da justiça, da força viva do Espírito manifestada, com clareza, em Jesus.
 
Todos dois - e só me dei conta desta ação comum, depois que conheci Otto Dana em Piracicaba e participei de alguns encontros com ele - eram propulsores da transformação sugerida por João XXIII, sob as bênçãos de Dom Arns, deixando, ao final de suas falas, o compromisso de pensar e sentir para evitar alienação à verdadeira, real natureza cristã. 
 
Nunca entendi, bom conhecedor do sal da terra lançado por eles, aqui e lá, os motivos que trouxeram Otto para Rio Claro e levaram Jamil para Piracicaba, em 2005. Cheguei mesmo a protestar por saber o quanto um e outro eram fundamentais na vida das cidades onde pregavam a Palavra. A impressão que ficou ao povo de Deus é que alguém sentia prazer em interromper a lição redentora de Cristo tão bem ensinada por eles.
 
O que sempre encantou nestes sacerdotes era a simplicidade como se apresentavam e a coerência que demonstravam para tratar das coisas de Deus, prova inequívoca de vocação e de sabedoria. 
 
Quase sempre, vestidos tão somente em túnica branca, sobre os ombros uma estola indicando o tempo do ano litúrgico a ser observado, cumpriam os ritos com tal correção, despertando os sentidos, para que nenhum deles se ausentasse do mistério oferecido, da proclamação à consagração. 
 
Nestas peregrinações em busca da palavra bem dita e benfazeja do Senhor, tendo, muitas vezes, Diva Spallini Ladislau, como companhia, em outras ocasiões, Célia Maria, minha irmã, socióloga como o sacerdote, alimentamos o espírito, fortalecemos a alma e aquecemos o coração com as intervenções de Otto ao longo da celebração.
 
Entusiasta do sacerdócio, explicava uma a uma as partes deste culto sublime em honra do Pai, ensinado pelo Filho, Salvador e Redentor da humanidade. O convívio na duração do ato cristão, sob a presidência de Otto Dana, era marcado por tamanha correção que a igreja, por mais concorrida, ganhava tom familiar e, à medida que os filhos de Deus se aproximavam da mesa do Senhor, a emoção se evidenciava.
 
Rejubile-se, portanto, em ouro, Otto, com seu carisma e sua fé e faça refletir o brilho de sua aura no povo que, em passos firmes, prossegue caminhando a seu lado.

David Chagas

É jornalista e professor.


 
 
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