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À margem dos partidos políticos
Marly Therezinha Germano Perecin
15/04/2017 06h00
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Assistimos a um fenômeno singular, a corrosão do sistema político partidário do País. Nada mais assustador, uma vez que partidos políticos fazem parte do jogo legítimo dos regimes liberais e sociais democráticos. Numa democracia de massas como o Brasil, eles são necessários e têm estrita responsabilidade com o progresso, o bem estar social, o futuro das gerações, o desenvolvimento material do País. 
 
O que são partidos políticos? Primeiro, são grupos bem estruturados por seus estatutos e organização, têm presidência e diretoria em níveis locais, regionais e nacional; os seus integrantes são políticos comprometidos com a ideologia adotada, democratas, socialistas, comunistas, não importa, portanto, são portadores de uma identidade doutrinária definida; são formações políticas livres aceitas pelo Estado, têm seus membros associados, seus eleitores na sociedade e renda própria, jamais podem ser “partidos oficiais” e usufruir da renda nacional, ou seja, do dinheiro do povo. Devem necessariamente apresentar um programa de ação coerente com o seu projeto nacional de Brasil, ou seja, ter racionalidade própria; as suas propostas devem ser debatidas em alto nível nos diversos parlamentos pelos seus representantes legitimamente eleitos. A Constituição Brasileira propiciou o pluripartidarismo, o que é bom, mas facilitou os exageros que espantam, cerca de 37 partidos estão registrados no STE, motivados pelas distribuições do milionário fundo partidário, tempo na TV negociável e privilégios, nunca por ideologias ou projetos nacionais.
 
Os membros de um Partido Político, homens e mulheres, devem ter conduta irreprochável e, quando candidatos, se apresentar aos cidadãos brasileiros, os eleitores, como postulantes a sua representação nas assembléias, do município, do estado ou da nação, como vereadores, deputados estaduais, deputados federais ou senadores. Como pessoas de bem, dotadas de competente currículo e sério comprometimento em defender os interesses dos seus eleitores, devem ser sufragados em pleitos eleitorais promovidos pelo STE e serem diplomados como legítimos representantes do povo. Em suas participações, o trabalho, a competência, a honra e o dever são valores inseparáveis da sua vocação política de defensores e de elos entre o povo e o poder. É em virtude dessa nobre atividade e dos serviços prestados, que podem se reeleger e continuar a nobre missão. Ponto final? Teríamos a falar muito mais, se adentrássemos as teorias. Basta lembrar que política é coisa séria, que existe para o bem, que o político deve ser uma figura respeitável, capacitada e honesta. 
 
Nos diversos momentos da história brasileira, de abertura democrática ou de fechadura autoritária, poucos representantes do povo demonstraram coerência. No período Regencial, os Chimangos (Liberais) conseguiram leis ousadas e enfrentaram o corcundismo atrasado, mas acabaram desgastados e vencidos. A sua semente de Liberdade sobreviveu na Primeira República, mas teve oportunidade em raros momentos. No século passado formaram-se partidos fascistoides, comunistas, anarcossindicalistas, liberais-democráticos e a ditadura de 64 deu azo aos partidos de centro-esquerda como o PMDB e o PSDB, ambos de grande expressão, e o PT, que representando as esquerdas trabalhistas e intelectuais, irrompeu vitorioso e alcançou o poder.
 
A falta de uma oposição condigna e teoricamente embasada permitiu o desgoverno e a desorientação do presente, deixando por saldo trágico uma economia devastada, 13 milhões de desempregados e gerações sem futuro. Durante esse tempo, alimentou-se uma geração de políticos oportunistas que agora pretende eternizar-se no poder. Conhecemos os seus nomes pelas delações e inquéritos da Lava Jato, pelos noticiários e pelas duas famosas listas de Janot. Eles só temem a perda do seu foro privilegiado e a cadeia, razão pela qual estão tramando alterações no sistema eleitoral através do voto em lista fechada, o mais imoral dos atentados à cidadania, porque nos tira a liberdade de escolha. O voto livre é um direito do cidadão e não aceitar essa impostura é o dever do eleitor livre e consciente.

Marly Therezinha Germano Perecin

é historiadora.


 
 
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