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As pedras do caminho
Marisa Bueloni
04/04/2017 14h29
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Todos já passamos por elas, as pedras difíceis da caminhada. Há uma frase assim: “Com as pedras que me atiram construirei um castelo”. Um bom aproveitamento dos projéteis. Vingançazinha benigna, de ótimo astral.

Mas me refiro aos percalços, aos obstáculos, às pedras duras que temos de transpor, feito rochas que nos impedem a marcha rumo ao supremo destino, seja ele qual for. Todos nós temos metas, sonhos, projetos.

Emagrecer, parar de fumar, conhecer Israel, trocar de carro, ter tempo pra ouvir música, comprar uma casa no bairro amado, pagar as dívidas. Ouvi na tevê que existem 40 milhões de brasileiros com os nomes no Serasa.

Sintoma de um país em extrema crise? Enfim, que barreiras duras temos de ultrapassar, na trilha diária, na luta e na dor.

Alguns possuem força suficiente para retirá -las com as próprias mãos e manter o passo.

Outros precisam de ajuda, vinda do céu, vinda da terra. Ah, quantos bons Cireneus encontramos ao longo da estrada!

Que grande graça é contar com o apoio de gente amiga, almas generosas.

Como é bom repetir o gesto, fazer nossa parte, oferecer as mãos e o coração a quem passa por alguma necessidade.

Não há sentimento mais belo do que ter feito o bem, ter prestado auxílio.

É fatal: iremos encontrar nossas pedras necessárias ao longo da vida. Sábio é aquele que as contorna, encontra um atalho perfeito e retoma seu rumo. Mais sábio, dizem, é quem consegue se elevar acima da pedra e, da altura dela, vislumbrar tudo a sua volta. Até mesmo a resolução dos problemas e dificuldades.

Quem já tentou subir em cima de sua pedra sabe como é.

Para começar, precisa de equilíbrio. Uma queda pode ser dolorosademais.

Alguém me disse que conseguiu a proeza, mas nada avistou lá de cima. Desiludiu-se e desceu... Eu não.

No dia em que eu puder subir em minha própria pedra, usarei um binóculo de grande alcance, ou um telescópio astronômico, para enxergar o infinito. Há de haver uma gentil poesia para a nossa livre passagem neste vasto mundo.

Quando era estudante, meu trauma era a Matemática. Ah, pedra dura de carregar! Depois, Física e Química.

Mas fui passando estas matérias, embora pouco delas passasse por mim. Somente mais tarde se compreende a beleza dos números e cálculos, o trabalho dos físicos e seus estudos sobre as leis cósmicas e a estética do universo.

Com o tempo, vemos sentido e harmonia no Teorema de Pitágoras e seu enunciado místico. As pedras do caminho podem ser contornadas com o aprofundamento deste belo Teorema e sua ressonância em nossa vida.

O quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos. Lição para o resto da vida.


Marisa Bueloni

É formada em pedagogia e orientação educacional e é membro da Academia Piracicabana de Letras.


 
 
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