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De jacaré a crocodilo
Jaime Leitão
18/04/2017 06h00
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Depois de assistir a tantos vídeos com as delações dos executivos da Odebrecht, a minha sensação é que no início a corrupção, com distribuição de propina, se parecia com mordidas de filhote de jacaré e, ao longo dos anos, foi crescendo e se transformando em dentadas ferozes de um crocodilo gigante.
 
Essa afirmação tem por base o que disse Emílio Odebrecht, pai de Marcelo, em seu depoimento: “Lembro de ter dito ao então presidente Lula que o pessoal dele estava com a goela muito aberta. Estavam passando de jacaré a crocodilo”. Veio à minha cabeça no mesmo instante em que ouvi isso a imagem do mapa do Brasil sendo devorado por um crocodilo enorme.
 
Apetite de crocodilo é mais enfático do que apetite de leão, expressão bem antiga. E significa querer mais dinheiro em troca de obras e até Medidas Provisórias para favorecer a empreiteira. É claro que todas as denúncias terão que ser comprovadas com documentos e provas. Mas a naturalidade com que os ex-executivos e  proprietários da Odebrecht falam sobre o dinheiro que era dado aos políticos assusta e é reveladora. Em alguns deles, há um tom sarcástico e se referem ao Departamento de Operações Estruturadas , como se fosse normal uma empresa possuir um departamento para pôr em prática esquemas espúrios, criminosos. A grande influência da Odebrecht sobre o governo Lula, a partir do que foi dito, fez com que a imprensa estampasse em manchetes a expressão: “República Odebrecht” para demonstrar o poder da empreiteira sobre políticos não só do PT, mas também do PMDB, PSDB e a maioria dos partidos. O que se depreende  é que o Estado foi sitiado por políticos e empresários voltados para conseguir em obras megalomaníacas e superfaturadas benefícios para os partidos e para si mesmos, deixando a população à míngua.
 
O governo, depois de ter vários ministros e o próprio presidente citado na Lista de Fachin, fora o presidente da Câmara, do Senado e parlamentares aliados, busca fôlego para retomar a votação das reformas, o que representa uma tarefa bastante complicada.
 
Percebo a reação das pessoas, tanto nas redes sociais como em um supermercado, onde um homem me disse perto da banca de tomates: -Está difícil escolher um? Eu respondi:-Está. Ele emendou: Está parecendo os nosso políticos. É difícil encontrar um em bom estado, que não esteja podre. Cheguei em casa, a minha mãe reclamou:-Só comprou quatro tomates? Eu respondi: -Eram os únicos que não estavam podres ou quase apodrecendo. Já em relação aos políticos, é difícil dar números já que novas delações virão e tudo pode acontecer.
 
Por falar em podridão, o que não cheira bem é a possibilidade de um acordão que estaria sendo costurado entre os caciques dos principais partidos para anistiar o Caixa 2. Na verdade, essa tentativa, que vem sendo fartamente noticiada, cheira muito mal.

Jaime Leitão

é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação


 
 
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