,
Clique e
assine o JP
Televendas: 3428-4190
Classificados: 3428-4140
Comercial: 3428-4150
Redação: 3428-4170
Últimas notícias:
  • Todos os presidentes que ganharam filmes no País
  • Retrospectiva de Rodrigo Andrade está entre as dicas de exposições da semana
  • Ocimar Versolato morre aos 56 anos em São Paulo

Democratas? Nem tanto
David Chagas
16/04/2017 06h00
  |      
ENVIAR     IMPRIMIR     COMENTE              
 
Se na democracia o poder emana do povo e todos são iguais, perante a lei, por que milhões de brasileiros, idosos muitos deles, sobrevivem com um salário mínimo ao mês? Por que outros tantos vivem sem usufruir de qualquer direito constitucional e não têm, sequer, na infância e na velhice, qualidade de vida? Até quando assistir calado à mancha vergonhosa que já cobre o pavilhão da esperança, acomodado em solidão, deprimindo-se com tamanho descalabro? 
 
Apesar disso tudo, sigo amando com fé e orgulho a terra em que nasci. E você? Se insiste em dizer que não há país nenhum como este, prove com ações concretas de força e fé. 
 
Terá consciência de que ex- presidentes, até mesmo aqueles que nada fizeram, que enganaram, ou impedidos de prosseguir seu mandato deixaram o país em situação apocalíptica, miséria e horror, custam mais de dois milhões/ano aos cofres públicos? 
 
A imprensa dá conta de que o ex-presidente José Sarney, além de todas estas dádivas, luta na justiça, obrigado que foi a devolver dinheiro por aposentadoria no valor de R$ 73 mil, ultrapassando e muito! — o teto constitucional estabelecido. Sem falar, é claro, no líder sindical que presidiu o Brasil, em quem acreditamos tanto quando, mais ingênuos, porque tínhamos dele visão messiânica. 
 
Além das benesses oferecidas aos ex-ocupantes do cargo máximo da República, Lula da Silva recebe, segundo importante empresário, mesada vultosa disfarçada em palestras e encontros.
 
O mesmo empresário confessa terem sido, alguns de seus seguidores, insaciáveis na prática ou, para ser mais brando, no pagamento de tributos percentuais ao discutirem troca de favores. Durante seu depoimento ao juiz Sérgio Moro, Emílio Odebrecht entre sorriso e sarcasmo, relata ao Meritíssimo Juiz “que a sede do ouro é sem cura,/ e por ela subjugados,/ os homens matam-se e morrem,/ ficam mortos, mas não fartos”. 
 
Prossegue contando ter pedido ao Presidente moderar os seus que, recomendando prudência, ele puxaria a orelha dos assessores para não minimizarem por demais o que aqueles maximizavam.
 
Amofinado, me apequeno diante do que ouço. Penso na senhora que me serve, anos seguidos de vida inumana, explorada que foi nos serviços prestados na zona rural, sem direito a aposentadoria e sem casa para viver, agora, apontada, como tantos outros, responsável pela quebra da previdência. Penso nos professores, aqueles sobretudo, que distribuíram saberes a seus alunos, respeitando a missão e o sujeito dela, ultrajados por seus salários. 
 
A cada dia um fato novo e pior convida à revolta e ao nojo. Junto, para agravar ainda mais, a informação palaciana de que o país, em bancarrota, precisa de reformas urgentes, em especial na previdência, para que os aposentados não fiquem sem salários. Justo? Pergunta vã onde justiça e direito há muito se divorciaram do povo.
 
Vivendo em pecado no paraíso, os poderosos traçaram o inferno à perfeição, jogando-nos na fogueira, ainda que não fôssemos nós os pecadores que não participamos nem sabíamos da festa e da farra. 
 
Apesar da aparência milionária que apresentam, dos requintes exibidos pela mídia, juram ter agido em consonância com a lei, revelando inocência, sem jamais terem participado da roubalheira que juram desconhecer, embora evidente. Já não suporto ouvir estes parlapatões jurando inocência como se fossem modelo de honestidade, leais cumpridores da lei, honrados. 
 
Estas juras, por certo, são feitas “de seu calmo esconderijo,/ onde o ouro vem,/ dócil e ingênuo;/ torna-se pó, folha, barra,/ prestígio, poder, engenho.../ E tão claro! — e turva tudo:/ honra, amor e pensamento”.
 
Nos planalto, “em largas mesas solenes vão redigindo os ministros/ cartas, alvarás, decretos,/ e fabricando delitos”. Até quando prosseguirão os brasileiros trabalhando e pagando impostos a gente desta laia?
 
Valha-me Nossa Senhora, minha última esperança! Já que é nossa rainha, do Brasil, a padroeira/ liberte a pátria querida de tamanha ladroeira/ trocando o tempo de agora, por outro, só de bem-aventurança!

David Chagas

É jornalista e professor.


 
 
Voltar

Comentários

Nome:
E-mail:
Comentário:
 

  • Seja o primeiro a comentar