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Jogo mortal Baleia Azul
Ana Carolina Carvalho Pascoalete
13/04/2017 12h15
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Na sociedade globalizada em que vivemos, o acesso a qualquer fonte de conhecimento, informações e conteúdos em geral, se torna ainda mais fácil. Além dos moldes convencionais, a maior parte da população se relaciona por meio das redes sociais, WhatsApp e outros grupos de bate papo que promovem esse contato virtual. 
 
Dessa forma, os lugares que acessamos como fonte de relacionamento e conhecimento apresentam fortes influências sobre nossas vidas, auxiliando no processo de formar opiniões, seguindo personalidades que admiramos, desvendando curiosidades. E esse jogo baleia azul (blue whale), muito provavelmente foi uma invenção de uma organização criminosa com indivíduos mal-intencionados, perversos, com grande grau de manipulação. Assim criando um jogo e tornando-o real na vida de quem se propõe a participar. 
 
A fase do final da infância e início da adolescência tende a ser de certa vulnerabilidade, devido às mudanças físicas, hormonais e psíquicas, de um indivíduo conquistando mais autonomia para suas escolhas. Fase essa “cheia” de novas descobertas, e com isso os pré-adolescentes ficam mais suscetíveis a entrar no jogo por perderem mais facilmente o senso de realidade.
 
Podemos observar que nos jogos, tanto de vídeo game quanto qualquer outro que sugere desafios, a cada fase concluída, esses jovens tendem a se sentirem mais valorizados, com poder. O mesmo pode ocorrer nesse jogo mortal baleia azul, em que o jogador recebe algumas “missões”, diariamente, durante 50 dias, especificamente toda madrugada (4h20).
 
O jogo chegou ao Brasil e tudo indica que começou na Europa, onde tem tirado a vida de muitos adolescentes que usam frequentemente a internet. São mortes por asfixia, praticadas todos os dias por jovens entre 12 a 17, idade de maior vulnerabilidade. De acordo com informações divulgadas, o tal jogo já colocou um fim na vida de muitos adolescentes russos, que decidiram seguir uma série de instruções que as deixam mais suscetíveis a isso.
 
Qualquer adolescente por curiosidade pode se sentir interessado em conhecer o jogo, porém os mais suscetíveis a participarem, tendem a ser os que estão vivenciando situações de conflitos ou dificuldades psicológicas para se sentirem contagiados a concluir as etapas do jogo, finalizados com o ato extremo de interromper a própria vida.
 
Cabe aos pais serem presentes na vida de seus filhos, acompanhando sua rotina, estabelecendo regras e limites como: determinação de tempo para passar na frente da televisão jogando vídeo game, acompanhando os filmes de interesse dos filhos, conteúdo pesquisado na internet, grupos de interesse nas redes sociais e, inclusive, proibir certos comportamentos como deixar os filhos passar as noites em claro, ou virar o dia na frente da televisão.
 
Os pais precisam se conscientizar do seu papel na educação dos filhos e prestar atenção a comportamentos que não são saudáveis entre eles: isolamento, tristeza por tempo prolongado, queixas frequentes de solidão, falta de atenção da família, conflitos nos relacionamentos. É fato, crianças e adolescentes felizes se socializam, gostam de verbalizar sobre as mudanças, conquistas, sonhos.
 
Acredita-se que esse jogo mortal se baseia em conteúdos que estimulam uma lavagem cerebral nos participantes. Penso que com as tarefas propostas como: cortar a pele produzindo o desenho de uma baleia, passar vinte quatro horas assistindo filmes de terror e ouvindo músicas psicodélicas, não são tarefas que passam facilmente imperceptíveis aos pais, pois um adolescente que se machuca tende a sentir dor, tentando esconder ou tendo um maior cuidado nas regiões feridas. 
 
A privação do sono tende a deixar o adolescente em fase de confusão, facilitando a perda de noção da realidade. As tarefas propostas nesse jogo são formas mascaradas de torturas, auxiliando na destruição do ego, levando o indivíduo a romper com a realidade, sugerindo um estado psicótico e, assim, torna-se mais fácil induzir a pessoa ao suicídio. Os pais precisam ter voz ativa com os filhos no processo de educação e se perceberem algo de errado e for necessário, tem que pedir ajuda profissional.
Ana Carolina Carvalho Pascoalete é psicóloga e psicanalista clínica

Ana Carolina Carvalho Pascoalete

É psicóloga e psicanalista clínica


 
 
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