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O ineditismo do nosso Salão de Aquarelas
Rosângela Camolese
02/04/2017 13h29
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Desde 2015, nossa Pinacoteca passou a abrigar mais um salão de arte, este totalmente dedicado à delicadeza e à versatilidade da aquarela. E uma das razões para o seu surgimento é histórica.

O patrono da Pinacoteca, Miguel Archanjo Benício D’Assumpção Dutra, o Miguelzinho Dutra, foi um precursor do aquarelismo e o primeiro artista da cidade a levar seu cavalete para áreas livres, retratando paisagens na técnica que hoje se chama pleinair.

Outra razão para criação do Salão de Aquarelas de Piracicaba (SAP) foi determinada dentro do Salão de Belas Artes que anualmente recebia um grande número de trabalhos nesta técnica.

Não só a quantidade, mas a qualidade deles, reconhecida pelos juris de seleção e premiação, incentivaram seu surgimento. Três anos depois, quando nesta última sexta-feira a exposição foi aberta, pudemos afirmar que este é o único salão do gênero em todo país.

É claro que em muitas cidades acontecem exposições de aquarelistas em coletivas ou individuais, mas com este conceito competitivo, com regulamento, inscrição, seleção e premiação, é inédito e exclusivo.

Aliás, poucas cidades brasileiras têm uma predisposição tão grande para as artes plásticas como Piracicaba que, desde a metade do século passado se destaca neste cenário.

Em 1952, nascia o Salão de Belas Artes (SBA), com 65 anos ininterruptos de atividade, primando pelo alto gabarito das obras e pelo respeito às manifestações figurativo-realistas, exibindo trabalhos de todo o país em mostras de excelente nível. Depois, em 1967, despontava o Salão de Arte Contemporânea (SAC), como reflexo do momento artístico nacional e incentivo à difusão da arte junto aos universitários.

O caçula dos salões traz a aquarela em suas múltiplas linguagens, sem a interferência de outras manifestações, numa mescla que segue a linha “de tudo um pouco”, privilegiando a qualidade e não a temática da obra. Uma situação que nos remete ao aprimoramento da técnica através do tempo.

O registro de seu surgimento está há mais de dois mil anos, na China, logo depois da invenção do papel e dos pincéis de pelo de coelho. No Ocidente, passa a ser notada a partir da Idade Média, quando se produziam aquarelados sobre pergaminho. As obras de John White, considerado “o pai da aquarela”, datam de 1550 e registravam a vida, o ambiente e os costumes do Novo Mundo.

Foi somente no século XVIII que ela passou a ser considerada e difundida pela Europa, mas continuou a retratar cenários bucólicos e natureza selvagem. Muito diferente do que podemos ver neste III SAP, quando, mais uma vez o público será presenteado com uma seleção de obras belíssimas, do mais alto nível técnico e variedade de temas explorados pelos aquarelistas, demostrando o quanto esta arte milenar pode ser aplicada em diferentes propostas, indo dos temas clássicos aos mais contemporâneos.

Nesta edição, 317 obras assinadas por 92 artistas de todo o Estado de São Paulo, além de aquarelistas do Paraná, do Rio Grande do Sul e Santa Catarina foram inscritas.

Delas, depois de muito trabalho das comissões de seleção e premiação, 94 serão expostas com o estilo de 55 diferentes artistas plásticos. A novidade do ano é que além dos prêmios aquisitivos, da Medalha Miguel Dutra e dos prêmios Koralle e Pintar, foi instituído o Prêmio Capa, de valorização à obra que abre o belo catálogo da exposição. O sucesso e a aceitação do Salão de Aquarelas de Piracicaba evidencia o quanto, a cada ano, a cidade se consolida como uma importante vitrine das artes plásticas nacionais.

Então, aproveite a oportunidade para apreciar toda delicadeza e a riqueza dos traços destas obras, poderão ser vistas na Pinacoteca até 29 de abril. Vida longa ao Salão de Aquarela de Piracicaba!


Rosângela Camolese

É secretária da Ação Cultural.


 
 
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