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O jogo da forca
Francisco Ometto Júnior
29/04/2017 06h00
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Segundo a OMS, a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio no mundo. E o Brasil está no oitavo lugar deste triste “ranking”. As causas estão relacionadas principalmente à depressão, transtornos, problemas socioeconômicos, bipolaridade, abuso do uso de drogas e álcool, pressão e estresse. 
 
Uma triste realidade, agravada principalmente pelo preconceito e pelo silêncio. É preciso, sim, falar sobre suicídio, ao mesmo tempo em que é preciso (também) saber falar sobre este assunto. 
 
“Quando não somos capazes de entender alguma coisa, procuramos desvalorizá-las com críticas. Um meio ideal de facilitar nossa tarefa”. (Freud).
 
Quer apenas uma analogia sobre isso? As brincadeiras que se arrastam pelas redes sociais sobre o grave problema relacionado à “baleia azul” e a tantos outros semelhantes. Reflita...
 
Cada ser humano tem seu limite. Cada ser humano tem sua capacidade de enfrentamento. Um problema para determinada pessoa pode ter efeitos catastróficos que ao mesmo tempo nem chega a afetar outra pessoa. 
 
Judas Iscariotes, Marilyn Monroe, Van Gogh, Leila Lopes, Getúlio Vargas, Elvis Presley, Walmor Chagas, Robin Williams, Whitney Houston, Amy Winehouse, Anna Nicole Smith, Elis Regina, etc. A lista é enorme, infelizmente. 
 
Vamos além neste raciocínio? Citei várias pessoas “famosas”, entretanto, o suicídio não respeita categorias! Ele invade todas as classes sociais, credos e raças, sem exceção ou distinção. E a enorme relação de pessoas famosas (e não famosas) que já tentaram suicídio? E a (também) enorme relação de pessoas que pelo menos já pensaram em acabar com a própria vida? Você já pensou em se matar? Não se esqueça de que tudo tem um começo, um meio e um fim. É preciso entender que só pelo fato do pensamento ter existido já pode estar latente a potencial gravidade da situação. Não se entregue ao silêncio. Não se deixe vencer pela falta de conhecimento. Não aceite o preconceito. 
 
Um dos grandes obstáculos para o avanço da sabedoria no mundo atual é a confusão que as pessoas fazem entre informação e conhecimento. A cada dia auxiliados paradoxalmente pelo “avanço” da tecnologia muitos se acham bem informados, mas, na verdade, estão na contramão do conhecimento.
 
Enfim, pensamento, tentativa ou o ato do suicídio revela que a pessoa está enfrentando sentimentos os quais não está preparada para lidar, e portanto, necessitando de ajuda. Suicidas querem viver, porém, não encontram outra saída para acabar com o sofrimento e, muitos, inclusive, já estão praticamente mortos — mesmo sem terem praticado o suicídio!
 
Para a OMS, “aumentar a conscientização e quebrar o tabu é uma das chaves para alguns países progredirem na luta contra esse tipo de morte”.
 
Se você tem pensamentos suicidas ou conhece alguém que tenha, é importante entender que existe um caminho para a solução. É preciso diálogo aberto e objetivo sobre o assunto. 
 
“Baleias azuis” estão só na ponta do iceberg... É uma parte do problema. A solução, como sempre digo, está nas causas, nas raízes. As influências são muitas e variadas... Todas as pessoas que se mataram estavam na busca desesperada de uma saída para o problema psíquico que viviam e não devemos julgar as causas, mas sim conhecê-las, tratá-las! 
 
Independentemente da idade ou classe social, é imprescindível o acompanhamento profissional para prevenir casos de suicídio ou de tentativas de suicídio. Os indícios aparecem, basta querer descobri-los. 
 
Diferentes tipos de jogos, facetas ou influências subliminares, um conhecido seriado, uma palavra dura, a fragilidade psíquica em lidar com algumas situações da vida, um passado complicado, traumas, um golpe emocional, um transtorno, a depressão, enfim, muitas são as causas, mas a vida deve sempre vencer. O suicídio é o último dos gritos. Vença o preconceito. Vença a dúvida. Vença o silêncio. 
 
Quando uma pessoa pensa em suicídio, ela quer matar a dor, mas nunca a vida. (Augusto Cury)
Você ainda está vivo?

Francisco Ometto Júnior

É professor e psicanalista


 
 
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