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Pânico, uma síndrome que atinge cada vez mais pessoas
Ana Carolina Carvalho Pascoalete
27/04/2017 16h05
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Há tempos, quando se falava em síndrome do pânico, a maioria da população não levava esse tipo de transtorno a sério. Essa síndrome, ligada a ataques de ansiedade, leva o indivíduo a vivenciar crises de angústia, medo e terror, e quando não tratada tende, com o tempo, gerar mudanças comportamentais. A pessoa passa sentir medo de atividades muito simples, como sair de casa, por exemplo. Hoje, estudos comprovam que a síndrome do pânico atinge duas vezes mais mulheres do que homens; especialmente entre os 18 e 35 anos.
 
Estatísticas mostram que cresce a cada ano o número de pessoas identificadas com o transtorno psicológico dessa síndrome no mundo. No Brasil 12% da população sofre com algum transtorno de ansiedade, calcula o Instituto de Psiquiatria do Hospital da Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, o que representa 24 milhões de brasileiros com ansiedade patológica. Estima-se também que 23% da população brasileira terá algum tipo de distúrbio ansioso ao longo da vida.
 
A síndrome do pânico pode desencadear fobias que, aos poucos, limitam a vida do individuo, que vai se isolando do meio de convivência, amigos, familiares, com tendências a se tornar cada vez mais recluso. Vale apontar que a incidência de suicídio aumenta em até três vezes em pessoas com pânico.
 
Os fatores que dão origem ao pânico são três: genéticos, biológicos e psicossociais.
 
Esse transtorno de ansiedade generalizada se caracteriza por crises súbitas acompanhadas de medo intenso e irracional de morte iminente, aparentemente sem fatores que justifiquem esse sintoma, porém deixa o indivíduo sentindo-se incapaz.
 
A síndrome pode surgir após situações traumáticas vividas por essa pessoa e as crises duram de cinco a vinte minutos e tendem a ser reincidentes, podendo se repetir por várias vezes. Os principais sintomas dessas crises são; ansiedade, palidez, fraqueza, suor intenso, falta de ar, palpitações, tonturas, tremores, desmaio e sensação de morte.
 
Pode haver períodos de melhora espontânea desse transtorno, mas em geral, não desaparecem sem um tratamento eficaz.
 
O diagnóstico precisa ser realizado por um profissional da saúde especializado, médico psiquiatra que, solicitará uma série de exames físicos, para investigar os sintomas com o intuito de excluir a possibilidade de outras patologias e, se constatado a síndrome do pânico, inicia-se o tratamento, onde é necessário uma associação de medicamentos com psicoterapia.
 
Pessoas que apresentam alguns dos sintomas citados anteriormente, precisam procurar ajuda e deixar o preconceito de lado. O tratamento precoce evita consequências como; afastamento, demissões do trabalho, aposentadoria precoce devido à incapacidade funcional, dentre outros problemas.
 
É essencial que a família seja orientada nesse processo de tratamento para que compreenda o comportamento do paciente. Infelizmente, é muito comum os familiares pressionarem a pessoa para superar a crise e, nesse momento, ter muita paciência e apoiar o tratamento é fundamental.
 
O trabalho de psicoterapia vai auxiliar o paciente na identificação dos sintomas destrutivos no momento que estiver vivenciando as crises, auxiliando a desenvolver maneiras de desapego daquele sentimento, além de espaço para que o paciente possa falar do sofrimento que as crises lhe geram, se questionar sobre o que acontece com ele, a procurar dar sentindo, a partir da sua história, ao que parece não ter sentido. Proporcionando ao paciente condições para que ele possa subjetivar a condição do desamparo, porque vivemos a ilusão e idealizamos um mundo de estabilidade longe das incertezas e falta de garantias que é o que realmente a vida nos proporciona. Nós somos seres desamparos. Portanto, para a psicanalíse, o pânico nada mais é que um afeto extremo de angústia, despertado no indivíduo pelo confronto com o seu desamparo.
 
Quanto à cura, os resultados são muito individualizados. Existem pessoas que se propõem ao tratamento e aprendem sobre si mesmas, como pensam e funcionam, passam a se perceberem respeitando seus limites, significando sua ansiedade e podem nunca mais ter uma nova crise. Enquanto outras, terão reincidências em algum momento de sua vida, e outras ainda que farão uso de medicamentoso por toda a vida.

Ana Carolina Carvalho Pascoalete

É psicóloga e psicanalista clínica


 
 
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