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Para elevar o moral da tropa
Jaime Leitão
20/04/2017 06h00
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Durante café da manhã, no Palácio da Alvorada, na última terça-feira, para deputados e senadores, Temer portou-se como um general buscando elevar o moral da tropa após perder mais uma batalha. E que batalha. Na verdade, as batalhas que ainda virão serão muitas e têm a ver com as delações premiadas dos executivos da Odebrecht, que foram divulgadas semana passada e que caíram como um míssil sobre o Planalto.
 
Uma das afirmações de Temer: “Há questões das  mais variadas, que muitas e muitas vezes, visam,  digamos assim, a desprestigiar a classe política, e nós todos precisamos resistir, eu tenho resistido enquanto posso”.
 
A expressão dos presentes era de desânimo total. Também depois de tantos petardos desferidos pelos delatores, e a repercussão que as denúncias estão tendo, pelos detalhes horripilantes que vêm sendo relatados, não era para menos.
 
Temer falou que muitos fatos têm por objetivo desprestigiar a classe política. Mas não foi a própria classe política que se desmoralizou com o envolvimento visceral com a corrupção durante tanto tempo? 
 
Quando ele diz, “vamos resistir”, há uma ambiguidade . Pode-se fazer a leitura de resistir à Lava-Jato, buscando miná-la, com votações que favoreçam os implicados na denúncia ou resistir mantendo as votações das reformas, para que o país não fique paralisado.
 
Mais um trecho da fala de Temer: “Não se pode, a todo momento, acontece um fato qualquer, uma notícia qualquer, vamos parar o Executivo, vamos parar a atividade do Legislativo. Nós temos que nos vitalizar e dar uma resposta muito adequada para o momento que nós vivemos”.
 
O comandante, nessa fala, demonstra também uma falta de estratégia para seguir em frente. O abalo é visível . Quanto ao fato qualquer a que ele se refere, não se trata de um fato qualquer, mas altamente explosivo que atinge diretamente o seu governo, vários ministros e a sua base.
 
Que resposta adequada o governo daria nesse momento? Pergunta de difícil resposta.
 
Outras delações deverão vir, inclusive do ex-ministro Palocci, preso desde setembro do ano passado, e que teve negado anteontem o habeas corpus pedido por seus advogados.
 
Palocci aparece na lista sigilosa do ministro Fachin, juntamente com Lula, Lobão e o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, também preso. Essa lista, quando for revelada, poderá implodir ainda mais a república e foi manchete da edição de ontem do “Estadão”: “A lista sigilosa de Fachin”. Segundo a reportagem, são 25 casos ainda em segredo que envolveriam operações da Odebrecht em Cuba e Angola.
 
Os podres do poder não param de aparecer e assustam pela maneira natural como são relatados. Não se pode recuar mais, é preciso ir em frente e desconstruir esse sistema dominado por esquemas criminosos que deixaram o país em uma situação desoladora.

Jaime Leitão

é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação


 
 
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