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A doença do século XXI
Ana Carolina Carvalho Pascoalete
11/05/2017 12h51
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A depressão é um distúrbio afetivo que acompanha a humanidade ao longo da sua história. Nessa patologia existem evidências que mostram alterações químicas no cérebro do individuo deprimido, principalmente com relação aos neurotransmissores (serotonina, noradrenalina e em menor proporção dopamina).
 
A depressão pode ser causada por uma série de fatores, genéticos, psicológicos e ambientais. Geralmente os portadores descrevem uma tristeza profunda e sem fim, ela pode passar despercebida por anos, mas aos poucos atrapalha a qualidade de vida, e ainda pode desencadear outras doenças, trazendo para as vidas das pessoas a desesperança e falta de vontade de viver.
 
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) informam que 121 milhões de pessoas no mundo estão diagnosticadas com depressão. É a terceira doença mais debilitante da contemporaneidade. Duas vezes mais comum entre mulheres do que homens e atinge todas as idades.
 
O Brasil é a população com maior nível de depressão em relação a países subdesenvolvidos, segundo o Instituto de Pesquisa da Universidade de São Paulo (USP). A maior barreira no tratamento é a dificuldade do diagnóstico. Em geral a pessoa com depressão percebe não estar bem, vivenciando um processo de sofrimento, mas não sabe onde ou com quem procurar auxílio e outras vezes porque durante a doença o indivíduo não tem energia ou vontade para agir.
 
Os principais sintomas são: tristeza profunda e continua; baixa autoestima; vontade de chorar frequente; inquietação e ansiedade; cansaço exagerado, sonolência e indisposição; perda de interesse por atividades e apetite; insônia; pensamentos suicidas; problemas digestivos e dor no estômago; dores de cabeça; sensação de inutilidade e fracasso; tensão na nuca, ombros e dores no corpo; alteração de peso; imunidade baixa; retraimento social e retardo psicomotor.
 
Para combater a depressão é necessário interpretar os sintomas e se despir do preconceito que há em relação ao assunto. O equilíbrio emocional precisa ser recuperado para fazer com que a vida se torne novamente significativa e importante da mesma forma que antes da doença.
 
O tratamento indicado atualmente para a depressão é uma combinação de medicamentos e psicoterapia. Alguns pacientes precisam de manutenção ou preventivos por anos para evitar o aparecimento de novos episódios, outros apresentam reincidência em algum outro momento de sua vida, enquanto outros ficarão curados.
 
A participação da família é fundamental para o tratamento, evolução e a recuperação da pessoa deprimida. Incentivando-a, acompanhando as consultas. É necessário paciência, porque a depressão não surge por culpa do doente.
 
Quando não tratada pode trazer sérias consequências como perda do emprego; problemas no relacionamento conjugal e familiar; risco de desenvolver outras doenças e suicídio.
 
O atendimento psicológico auxilia na reestruturação psicológica do individuo, além de aumentar a sua compreensão sobre o processo de depressão e na resolução de conflitos, o que diminui o impacto provocado pelo estresse, olhando para as dificuldades com a profundidade necessária para que as mudanças ocorram.
 
Na clínica psicanalítica a depressão é uma forma muito particular e avassaladora do que chamamos de dor de viver. Se unirmos angústia e dor resultará em uma junção de afetos que se perdem no tempo e essa dor arrasta consigo tudo que o homem constrói, e para esse homem moderno pode representar o fim de tudo. O psiquismo do indivíduo, que o acompanha por toda a vida humana se perde sem se localizar em nenhum lugar do corpo vivo.
 
Assim a depressão é o rompimento de uma rede de sentido e amparo, que precisa ser restabelecida para voltar a existir espaço simbólico para a razão de viver.

Ana Carolina Carvalho Pascoalete

É psicóloga e psicanalista clínica


 
 
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