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Álcool e outras drogas, um desafio intersetorial
Paula Becker
31/05/2017 09h25
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A questão do uso problemático de álcool e outras drogas é urgente e cobra atenção dos gestores para políticas públicas efetivas. Historicamente, os transtornos mentais relacionados ao uso de drogas não foram uma prioridade global, especialmente quando comparados com doenças comunicantes e não comunicantes, como câncer e doenças cardiovasculares. Os serviços para tratamento de pessoas com esses transtornos foram negligenciados e, em muitos países, segregados das políticas publicas de saúde, deixando de receber verba ou de serem até mesmo implementados. Porém, nas últimas décadas o cenário mudou e não há mais como evitarmos lidar com a questão.
 
Em 2010, os transtornos relacionados ao uso de álcool e outras drogas geraram 8.6 milhões de anos de vida perdidos devido a mortes prematuras e 176 milhões de anos vividos com incapacidade em nível global. Estes transtornos são a principal causa de anos vividos com incapacidade no mundo, superando qualquer outra doença.
 
A OMS (Organização Mundial da Saúde) afirma que um terço de todos os países do mundo não possui um orçamento específico de saúde mental e dos que possuem, 21% investem menos que 1% do orçamento total de saúde em saúde mental, o que faz com que 85% das pessoas com doenças mentais graves, e isso inclui usuários de álcool e outras drogas, não recebam tratamento de saúde mental em países de baixa e média renda, nos quais o Brasil está incluído.
 
Uma importante resposta a este cenário foi a iniciativa do Banco Mundial, que definiu como prioridade no programa “Transformando o Mundo: a agenda do Desenvolvimento Sustentável para 2030” a promoção do bem estar mental da população, assegurando os Direitos Humanos, a prevenção de mortes precoces e a extensão da expectativa de vida para pessoas com doenças mentais. Ou seja, uma das instituições mais influentes e tradicionais que direcionam as ações de saúde no mundo está sinalizando e cobrando dos países que algo a mais seja feito. Uma das soluções apontadas pela OMS é a integração das ações dos profissionais e serviços especializados em saúde mental com os da Atenção Básica.
 
Todos são impactados e corresponsáveis pela dinâmica do uso problemático de álcool e outras drogas em nossa sociedade. Os contextos cultural, familiar, social e econômico estão diretamente relacionados à forma com que cada sujeito se relaciona com estas substâncias, sejam elas o álcool, a maconha, o crack, a cocaína ou o próprio cafezinho do dia-a-dia. Precisamos aceitar o fato de que as drogas acompanham a humanidade há mais de 10.000 anos, ou seja, que elas sempre estiveram presentes e, possivelmente, sempre estarão. Desta forma, a estratégia da guerra às drogas soa ineficiente e até mesmo ingênua diante de cenário de tamanha complexidade. O tabu deve ser quebrado e a população educada e preparada para discutir o tema isenta de pré-conceitos e falsas informações.
 
O uso problemático de drogas é sim um problema de saúde pública, como comumente estamos acostumados a ouvir na grande mídia, mas também de educação, esporte, assistência social, cultura, lazer, habitação, segurança, justiça, e todas as demais esferas da sociedade que estão relacionadas com a qualidade de vida das pessoas.
 
A questão que fica é: seria a saúde a única área que deveria ser responsabilizada pela promoção de ações de prevenção ao uso abusivo de drogas? Quais outros setores deveriam ser envolvidos nas discussões e ações de enfrentamento à esta problemática? Como reestruturar um projeto de vida de um usuário problemático sem considerar aspectos como formação profissional e trabalho, educação, habitação, segurança, cultura, esporte e lazer?
 
Os desafios estão dados e a intersetorialidade pode ser uma questão-chave na superação dos desafios apresentados.

Paula Becker

é terapeuta ocupacional da Rede de Atenção Psicossocial de Piracicaba.


 
 
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