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Artes
José Faganello
16/05/2017 04h00
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“Só existe uma arte inescusavelmente importante: viver. Tudo mais é sucedâneo” (Abgar Renault).
 
O vocábulo arte tem uma abrangência quase ilimitada. Ela, podemos afirmar, é a aplicação dos conhecimentos humanos à execução de um pensamento.
 
Igualmente, uma atividade criadora do espírito humano sem objetivo prático, que busca a exprimir o indizível através do sensível. Normalmente a primeira arte com que deparamos é com a peraltice da criança, que é chamada de arteira. 
 
A sequência com que vem depois é chamada de Belas Artes, que relegam a indústria e a ciência. São classificadas como: artes liberais, que requerem a aplicação da inteligência e estudo. Artes mecânicas, que tem por base o trabalho manual e requer o uso de instrumentos. Artes nobres, nome que abrange — adorno, o desenho, pintura, música, dança, esgrima, escultura, arquitetura, poesia, literatura, teatro, cinema etc.
 
A arte de governar, de falar com arte (oratória), como versejou Camões: “Se tanto me ajudar o engenho e a arte”.
Há ainda, o que é executado com esmero — obra prima. Astúcia, artimanha (teve a arte de lhe extorquir um sim!).
 
No esporte, todos eles e em todas as épocas houve verdadeiros artistas em todas as modalidades, mas são raros em comparação com o número dos praticantes.
 
Sempre acompanhei o noticiário esportivo e vou citar alguns nomes que admirei, não cabe no espaço, todos, mas vou colocar o que me vem, no momento, em minha lembrança.
 
Futebol: Leônidas, Djalma Santos, Pelé, Puskas, Maradona. No vôlei Hortência, Paula Ama Moser, Fofão, Vlamir Oscar, Giba, Tande.
 
Na natação só do Brasil: Gustavo Borges, Diogo Carvalho, César Cielo.
 
Mudando de foco, passo para a oratória, a começar pelo grego Demóstenes e o romano Cícero (Qousque tandem abutere patietia nostra Catilina?), cito apenas Rui Barbosa, Carlos Lacerda, Getúlio Vargas e o Padre Vieira.
 
Vieira, em um de seus sermões usou de uma oratória ímpar, que tem um trecho adequado ao nosso momento, no qual, nossos maiores ladrões estão sendo autoridades e grandes empresários.
 
Vieira, em seu sermão Furto e Roubo, usou de passagens adequadas para nossa situação atual: “Quanta vez se viu em Roma ir à forca um ladrão por ter furtado um carneiro, e no mesmo dia ser levado em triunfo um cônsul por ter roubado uma província”!
 
Há um monumento literário da prosa barroca, o sermão “A arte de Furtar”, atribuído ao Jesuíta Padre Manuel da Costa, mas foi também atribuído ao Padre Vieira. Nele descreve as numerosas formas de roubos e desmascara as múltiplas espécies de ladrões para que os ouvintes se acautelem e o rei lhes dê ‘o castigo que merecem’.
 
A roubalheira e a corrupção eram de tal monta que a maioria da sociedade era suspeita, abrangendo clero, burguesia, militares e nobreza.
 
No Brasil colonial, a arte de roubar era tanta, a ponto de tornar-se popular a quadrinha: “Quem furta pouco é ladrão,/ quem furta muito é barão,/ quem mais furta e esconde,/ passa de barão a visconde”.
 
Atualmente, estamos vergonhosamente em primeiro lugar no quesito corrupção. Se houvesse um Nobel para tal desmando, conseguiríamos nosso primeiro Nobel.
 
Tivemos e temos muitos artistas em todas as artes, no entanto nenhum deles conseguiu um sexto da fama de nossos larápios com tamanha maestria na arte de furtar e roubar.

José Faganello

é professor


 
 
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