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Crônica de um país sem rumo
Jaime Leitão
30/05/2017 12h07
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Quem disser que este país tem rumo, me aponte que rumo é esse porque eu não consigo ver rumo nenhum. Estou sendo pessimista, ou simplesmente realista, atento aos fatos que vêm acontecendo não é de hoje. Eu me sinto como se estivesse em um país estranho, com língua estranha, sem tradutor comigo e sem bússola ou GPS.
 
Quem traduz melhor o Brasil para que compreendamos com mais clareza esse quadro que mais parece uma tela de Goya ou Dalí? Os políticos? Que políticos? Aponte, por favor, quem são esses políticos norteadores que poderiam nos apresentar uma nova realidade. Brincadeira. Os economistas? Até que ponto? Os analistas? A sensação é que estamos todos perdidos em um grande naufrágio, sem boia que nos garanta ir além desse estado de coisas o mais rápido possível. E temos pressa. O tempo está se esgotando. Não dá mais para aguardar o surgimento de nomes que representem de fato uma perspectiva de mudança efetiva, sem repetirmos o velho enredo que praticamente nos destruiu.
 
Vejo um governo que já naufragou e que tenta se manter a todo custo, utilizando para isso recursos que não terão, no meu ponto de vista, nenhum resultado. Trocar ministros, interferir na Operação Lava-Jato só vai elevar a temperatura que já está bem alta.
 
Quase todos afirmam: - falta uma liderança que nos aponte esse rumo que não aparece à nossa frente. E como não há liderança, líderes de mentirinhas tentam se oferecer como solução mágica para a crise.
 
Crise? Essa palavra perdeu a força e o significado há muito tempo porque não há uma única crise, mas várias. Uma crise emenda na outra e não sabemos mais em que crise estamos.
 
Que crise é essa? É a crise moral, é a crise política, é a crise de governabilidade? A cada momento deparamos com um novo escândalo advindo dos inúmeros enredos dessas várias crises que se somam, formando um monstro chamado descontrole geral.
 
O saldo é: 14  milhões de desempregados, políticos envolvidos em denúncias gravíssimas tentando salvar a própria pele. Este país tem rumo em futuro próximo? Não consigo ver. O piloto, repetindo o filme, parece que sumiu mesmo. Haverá outro piloto disposto e em condições de assumir no lugar dele, trazendo algum rumo que valha a pena? Confesso que não sei responder. Por acaso você sabe?
 
Na falta de rumo, patinamos. Na estrada cheia de buracos, caímos e nos levantamos com a maior dificuldade, sem um anteparo daqueles que deveriam garantir condições mínimas de sobrevivência digna para todos nós. Digo “para todos nós”, não só para alguns. Um país não é um cercado que dá privilégios a um grupo e que deixa de fora do cercado a maioria. As consequências são desastrosas quando isso acontece.
 

Jaime Leitão

é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação


 
 
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