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Dostoievski e Nietzsche
Douglas Alberto Ferraz de Campos Filho
18/05/2017 05h37
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Poucas pessoas tiveram a possibilidade de ler estes grandes escritores: o russo Dostoievski certa vez escreveu, ‘se tudo pode, talvez Deus não exista’. Já para o alemão e filósofo Nietzsche, ‘Deus estava morto’.
 
Dostoievski foi o autor do famoso livro Crime e Castigo, em 1866. É uma história de assassinato que demonstra e faz pensar se é justo matar uma agiota inescrupulosa e sua cúmplice a golpes de machado e mesmo assim achar-se que é moralmente superior devido à vítima ser perversa. É uma história que debate a moral, a lei da época e a religião.
 
É um romance intenso, de leitura sem freios, onde se faz um passeio pela mente de um criminoso, que se arrepende, confessa seus crimes e foi preso na Sibéria. Crime e Castigo é um tratado de psicologia e filosofia que influenciou pensadores ocidentais, como Nietzsche, Freud, Proust e outros.
 
Se Dostoievski fosse filósofo, poderia ter discutido seus temas em laboratórios de pesquisas acadêmicas. A obra fala também sobre o pobre e mundano mundo russo do século XIX, sobre a moral cristã e os caminhos da salvação pela fé. Dostoievski percebeu que somos capazes de decidir os rumos de nossas vidas sem levar em conta os dogmas religiosos, pois se um terremoto em segundos pode matar e fazer sofrer milhares de homens e crianças, então aonde estaria Deus? Talvez ele não exista. 
 
Nietzsche, escritor alemão, em 1882 foi autor de Assim Falou Zaratrusta, cuja alcunha seria de o Evangelho Ateu. Zaratrusta foi um profeta persa do século 6 a.C., e teria estabelecido a diferença entre o bem o e mal.
 
O Zaratrusta de Nietzsche filosofava de uma forma que acabou com a diferença que governa a moral dos homens, pois questionou quem foi que inventou esta forma errada de interpretação entre o bem e o mal. Foi extremamente criticado pelo princípio da “igualdade”, defendido pelas igrejas. O pensador alemão fez emergir a figura do indivíduo além do bem e do mal, acima dos códigos morais pré-fabricados por Platão e muito bem usufruído pelo cristianismo ocidental. 
 
Nietzsche deturpou a compreensão que temos de nós mesmos, inventado por Platão no século 5 a.C., e manipulado pelo Cristianismo, que existe um mundo perfeito, passando o homem a um ser submisso desse ideal acachapante de obediência aos valores cristãos, pois demonstrou que achava desumano abençoar quem foi “desabençoado” pelo Todo Poderoso. O homem livre em seus pensamentos pode criar seus próprios valores, tornando-se cada vez melhor, Nietzsche, desprezou as instituições, como por exemplo o Estado que rouba, cobra e não cumpre suas funções. Para Nietzsche, Deus estava morto, ou nunca existiu, deixando em seu legado que as convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que a mentira.

Douglas Alberto Ferraz de Campos Filho

É médico.


 
 
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