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Educação financeira para a juventude
Sergio Marcus Nogueira Tavares
14/05/2017 06h00
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No campo da educação da juventude brasileira muitos são os desafios. Vamos abordar um deles, o da educação financeira. Nos últimos anos, o nível de endividamento das famílias no Brasil alcançou números alarmantes. Segundo a Fundação Getúlio Vargas, em 2010, 36,8% da renda das famílias estava comprometida em dívidas; em 2015, se chegou a 46,3 % e em abril de 2016, a 44,3%. Pesquisa realizada pela Serasa Experian indica que entre março de 2015 e março de 2016, o número de jovens (pessoas entre 18 e 25 anos) inadimplentes aumentou de 14,7% para 15,7% da população de inadimplentes na economia. Tendo ultrapassado os 14 milhões de desempregados no país nesse início de 2017, não será fácil nem rápido derrubar essa triste marca. 
 
O descontrole orçamentário e o endividamento criam um sem número de problemas à estrutura familiar, muitas vezes desmontando lares, deixando crianças ao abandono ou induzindo-as ao trabalho como menor e atingindo igualmente os idosos. O apelo crescente ao consumo, motivado por sedutoras propagandas na televisão e pelas mídias digitais vão ao encontro de um público que não consegue dizer não às ofertas e, por outro lado, não tem renda suficiente para realizar determinados gastos. 
 
As pessoas recebem ofertas de viagens, roupas, calçados, eletroeletrônicos, um sem número de produtos e serviços, via e-mail, sms, whatsapp e redes sociais. Quem não troca seu notebook, celular, veiculo, roupa, calçado, pelo último lançamento de um produto novo se sente inferiorizado. 
 
Como resistir a tudo isto diante de tantos apelos consumistas? Como estar bem nos diferentes ambientes sociais sem consumir o produto da moda? Este não é um desafio pequeno. Somente a educação financeira desde a infância pode ajudar a pessoa a uma atitude consciente, resistente e consequente no manejo de recursos financeiros, aprendendo a dizer NÃO em muitas situações e a fazer escolhas, na maioria delas. 
 
A família, a escola e a universidade devem atuar firmemente nesse processo pedagógico, de formação de uma outra consciência de consumidor. Essa juventude precisa encontrar exemplos de pessoas que têm resistido a esse consumismo e que são felizes e realizadas com o carro usado e com o celular e o computador que podem ter. E que existem pessoas que fazem tudo isto e não se endividam, ou seja, são felizes porque são autônomas, sem a dependência do sistema financeiro, do consignado e do crédito do cartão. 
 
É preciso deixar claro a essa nova geração que os recursos são limitados e que nem tudo que está ao nosso alcance nos é necessário para viver. Assim como temos de conscientizar que a água é finita e é preciso ter energia para todos, ou seja precisamos nos tornar sustentáveis. 
 
A idéia de planejamento e de enfrentamento de situações adversas com recursos próprios e não via endividamento é parte da autonomia pessoal que precisa ser construída. 
 
É parte dessa conscientização despertar a juventude para o médio e longo prazo e não somente para o aqui e agora. Quando temos um bom emprego e salário temos de guardar parte para o momento futuro, em que o emprego não existir. Ou seja, a cultura de poupança precisa substituir a cultura do endividamento. 
 
Enfim, é possível e necessário um novo jeito para lidar com o dinheiro. Passar isso às novas gerações é desafio educativo de que não podemos abdicar como educadores, pais e mestres. Capacitar a juventude nessa direção é ajudar no desenvolvimento da pessoa, da família e da sociedade. 
 
Introduzir a educação financeira como parte da grade curricular do ensino médio já é algo concreto no ambiente escolar. Assim como ética, cidadania, inclusão e outros atributos que são vitais à formação humana, a educação financeira precisa ser encarada como parte da educação da juventude. Que façamos esse e outros movimentos necessários o quanto antes, com competência, para o presente e futuro das novas gerações. 

Sergio Marcus Nogueira Tavares

É administrador de empresas.


 
 
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